domingo, 30 de agosto de 2015

O que é ruim para os bancários é ruim para o Brasil


Texto sobre a nomeação de Joaquim Levy, do Bradesco, para o Ministério da Fazenda, em dezembro de 2014


Os banqueiros no comando da economia
Assim que tomou posse como ministro da fazenda o diretor do Bradesco anunciou cortes no seguro desemprego, nos abonos do PIS e nos benefícios dos pensionistas do INSS. O objetivo é economizar dinheiro para o pagamento da dívida pública. Ou seja, desviar dinheiro que iria atender às necessidades da população diretamente para o bolso dos banqueiros e especuladores. Essa dívida é uma fraude, nunca pegamos esse dinheiro emprestado, e mesmo pagando uma fortuna todos os anos ela não pára de aumentar, porque os juros são determinados por um comitê do Banco Central controlado pelos próprios banqueiros e especuladores. Por mais que o governo siga pagando a dívida (mais de 1 trilhão de reais em 2015), a situação da economia não melhora, como demonstra a demissão de centenas de metalúrgicos pela Volkswagen e Mercedes no ABC.
Temos que ser solidários à luta dos metalúrgicos, que saíram em greve contra as demissões, e defender a redução de jornada sem redução de salário, para que haja emprego para todos. Da mesma forma, temos que fortalecer o movimento contra o aumento da tarifa do transporte público. Os números do orçamento mostram que existe dinheiro de sobra para termos transporte público gratuito e de qualidade. Mas para isso seria preciso romper com os interesses patronais e priorizar os trabalhadores. Entretanto, nem os governos do PT nem seus opositores do PSDB vão romper com bancos, empreiteiras, montadoras, latifundiários, etc. Somente com a ação coletiva e organizada dos trabalhadores, de maneira independente e em oposição aos governos do PT e PSDB, poderemos obter conquistas.

O que é ruim para o Brasil é ruim para os bancários.
Os funcionários do BB, CEF, BNB e BASA, bancos controlados pelo governo federal, são hoje, na prática, subordinados do Bradesco, através do ministério da fazenda. Os banqueiros e especuladores querem formatar os bancos públicos a sua imagem e semelhança. A presidente Dilma anunciou que vai abrir o capital da CEF e transformá-la numa SA, como já é o BB, que tem ações vendidas em bolsa. Isso representa na verdade um passo na direção da privatização, que já está avançada no BB, em que a maioria acionária (cada vez menor, pois o governo vende sucessivos lotes de ações) é estatal, mas a lógica da gestão é privada, com a busca do lucro a qualquer custo e a exploração de funcionários e clientes.
O modelo já vigente no BB será implantado na CEF, com prejuízos para os bancários e a sociedade. Esse é o significado das várias reestruturações que são desencadeadas a todo o momento nos bancos públicos, extinguindo setores, transferindo compulsoriamente os funcionários, retirando comissões, etc. Contra esses ataques por partes, temos que lutar como um todo. Temos que olhar além do imediato e ver a situação da nossa categoria como um todo. Temos que fazer como várias categorias que estão saindo em greve no ultimo período, como os metalúrgicos da Volks, os funcionários da USP, os metroviários de São Paulo, garis do Rio, professores em muitas cidades, construção civil, etc.

Para conter a organização e as lutas dos trabalhadores o governo e os patrões estão atacando os ativistas e militantes que organizam os trabalhadores a partir da base. Isso aconteceu com os 42 trabalhadores do metrô demitidos na greve de 2014, cuja luta pela reintegração continua, e acontece também na categoria bancária. São vários os casos de perseguição contra ativistas, delegados sindicais, cipeiros e lideranças que estão organizando a resistência dos bancários a partir dos locais de trabalho. O método da perseguição é a instauração de processo administrativo tentando criar pretexto para demissão. Os processos não tem como base nenhuma falha em serviço e sim ações que dizem respeito justamente à função de delegados sindicais e representantes, tais como reuniões com os colegas, divulgar textos, organizar paralisações, etc.
No BB temos a companheira Juliana, do complexo São João, e Israel Fernandez, do complexo Verbo Divino, que estão respondendo a processo, como já aconteceu com os companheiros Marcio Cardoso, do SAC, e Leticia, de Jandira, que foi demitida. Na CEF tivemos em 2013 a demissão do companheiro Messias, de Osasco, que foi revertida graças a uma ampla campanha do movimento, e agora temos o processo contra o companheiro Diogo, da ag. .
Temos que barrar esses ataques e nos colocar em defesa desses companheiros. O ataque a eles não é apenas aos indivíduos, mas ao conjunto dos bancários, pois é a partir da organização nos locais de trabalho, que eles representam, que temos condições de resistir contra as reestruturações e outras medidas que nos prejudicam. Mesmo porque a direção do sindicato, que é do PT, não tem a intenção de enfrentar de fato os bancos, que estão no ministério do governo do PT.


Nota da FNOB sobre o dia da isonomia da Contraf-CUT

“Dia de luta pela isonomia” da Contraf passa em branco e mostra descaso!
O chamado “Dia Nacional de Luta por isonomia de direitos entre todos os empregados da Caixa Econômica Federal”, nome pomposo para uma atividade inócua e governista marcada pela Contraf-CUT com o único propósito de simular fazer alguma coisa sobre um direito que ela mesma ajuda a esquecer e negligenciar em todas as campanhas salariais, acabou sendo um fracasso!
Marcado para o dia 11/09, foi marcado por cancelamentos da atividade (como em Brasília, principal concentração e sede da Caixa, onde nada aconteceu!) e por meia dúzia de diretores sindicais posando para fotos em algumas poucas localidades. Mais do que não servir para nada, estas pseudomanifestações, que se resumiram a estender faixas para registrar fotos sorridentes de dirigentes afastados da base, só cumpriram o papel de direcionar esta luta para o caminho institucional, já comprovadamente fracassado.
Em 10 anos de tramitação dos famigerados projetos da isonomia, eles já foram engavetados 2 vezes, e, da última seu relatório foi recusado. Justamente por um deputado do PT! O mesmo partido que comanda a Contraf-CUT...
A Frente Nacional de Oposição Bancária denuncia esta farsa promovida pelos sindicalistas pelegos ligados ao PT e ao PCdoB, que só pensam em reeleger Dilma e não têm como justificar a não concessão da isonomia, em 12 anos de governos do PT.

http://frentedeoposicaobancaria.org/noticias/encontro-da-isonomia-da-contraf-e-mais-um-engodo/

Inimigos da Isonomia
A Contraf-CUT, além de não fazer nada concreto pela isonomia, e de marcar atividades sem a participação da base, que são desmarcadas ou servem tão somente para registrar fotos publicitárias, presta, na prática, um desserviço à isonomia e se constitui como inimiga da luta por este direito.
Isso ocorre à medida que a Contraf-CUT, ao invés de uma postura combativa, exigindo a aplicação deste direito, faz o contrário: age como cabo eleitoral do PT e propagandista de que tudo já está ótimo e o governo só garante conquistas!
Segundo o site desta federação traidora dos bancários, há conquistas em todos os anos de PT, conforme uma tabela publicada em seu site, que ocupa uma página elencando supostos avanços; para, só ao final, em pouquíssimas linhas, reconhecer “o que ainda falta para conquistar”, listando apenas a Licença-prêmio e o Adicional por Tempo de Serviço (ATS) ou anuênio, correspondente a 1% do salário-padrão a cada ano trabalhado até 35 anos de atividade.
Nenhum governista conseguiria ser tão complacente com os patrões e responsáveis por acabar com a isonomia como a Contraf-CUT faz. Fica evidente que, com este pessoal, é impossível avançar em qualquer coisa.

Por uma campanha de verdade
            A luta pela isonomia, tanto quanto a licença-prêmio e o anuênio, engloba o direito a um plano de Benefício Definido de Previdência para os novos funcionários, o fim das perseguições aos empregados que seguem no plano Reg/Replan, a isonomia no que trata das VP, e a isonomia entre os empregados da ativa e os aposentados (paridade no salário, reajustes, benefícios, tickets, etc).
            E isso só pode se tornar realidade através de uma campanha nas ruas e nos piquetes de greve pela isonomia, como parte de uma campanha alternativa sustentada numa pauta alternativa, que exige 35% de reajuste, a reposição das perdas, PLR linear, estabilidade no emprego, fim das metas e do assédio, piso do Dieese, redução da jornada de trabalho e isonomia de verdade!       


Jornal para a campanha salarial 2014


TOMAR A CAMPANHA SALARIAL EM NOSSAS MÃOS!

A data base da campanha salarial dos bancários é 1º de setembro, mas até agora estamos ainda na fase de negociação. O Comando Nacional que negocia em nosso nome é formado por dirigentes sindicais da CUT que se acostumaram a tratar a nossa campanha salarial como algo que é resolvido por eles, na cúpula, e não por nós bancários. Por isso, os espaços de participação e decisão são cada vez menores para nós bancários de verdade, que estamos no dia a dia das agências e departamentos. Nós que suportamos a cobrança dos gestores, a pressão dos clientes, o excesso de serviço, sofremos o adoecimento físico e psicológico, nós é que devemos decidir os rumos da campanha!

Precisamos de democracia e organização!
Os dirigentes sindicais da Contraf-CUT realizaram seu Congresso em julho e inventaram uma pauta de reivindicações muito rebaixada, que reivindica apenas 12,5% e não toca nas questões centrais que afetam o dia a dia dos bancários, mas não submeteram essa pauta à aprovação em assembleia na maior parte do país. Na principal base do país, a de São Paulo, Osasco e região, os bancários não tiveram sequer a oportunidade de conhecer outras propostas, como a pauta da Frente Nacional de Oposição Bancária, FNOB, que reivindica 35% de reajuste imediato (perdas acumuladas nos bancos privados + lucratividade dos bancos), plano de reposição de perdas, estabilidade no emprego para funcionários de bancos públicos e privados, fim de todas metas e do assédio moral, mais contratações, etc.
Além de não realizar assembleia para discutir a pauta, os dirigentes da CUT também não demonstram a mínima disposição para lutar pela pauta que eles mesmos inventaram. Numa negociação com os patrões, os trabalhadores tem uma arma decisiva, que é a ameaça de greve, para obrigar a conceder as reivindicações. Mas para que essa ameaça tenha efeito, é preciso que haja um processo de organização para a greve, e isso não está acontecendo, não há sequer um calendário de mobilização.
Outras categorias, como correios, petroleiros e metalúrgicos também estão em campanha salarial na mesma época que os bancários. Precisamos unificar as lutas! Correios já tem um indicativo de greve para o dia 17/09. Defendemos assembleias para discutir um plano de lutas e aprovar um indicativo de greve para o dia 17!

Pela independência dos trabalhadores!
A greve é a máxima demonstração de força dos trabalhadores, e precisa de preparação e organização, com reuniões nos locais de trabalho, plenárias por banco e por região, assembleias, etc., para que a categoria possa decidir sobre sua luta. É preciso também trazer a população para o lado dos bancários, mostrando que lutamos por melhores condições de trabalho para nós e melhor atendimento para o público em geral.
A falta de empenho dos dirigentes sindicais da CUT na preparação da luta não é simples incompetência, engano ou acidente, mas resulta do fato de que eles tem uma prioridade, e não é a organização dos trabalhadores. Eles defendem os interesses do seu partido nas eleições, o PT, e não os dos trabalhadores. Nós bancários não devemos ter esperanças de que qualquer candidatura, PT, PSDB ou PSB possa melhorar a nossa vida. Todos esses partidos governam para a classe capitalista, em especial para os bancos, que lucram absurdamente, não importa quem esteja no poder.
Devemos confiar apenas em nossa própria organização em luta! A FNOB defende um sindicalismo independente dos patrões, partidos e governos, a serviço dos trabalhadores, contra a traição e peleguismo da CUT. Defendemos:
- assembleia para aprovar um plano de luta e indicativo de greve para o dia 17/09!
- que os bancários possam falar nas assembleias e defender suas propostas!
- eleição de representantes de base na mesa de negociação!

RETOMAR A LUTA POR ESTABILIDADE NO EMPREGO!

Na base de São Paulo, Osasco e Região cerca de 80% dos trabalhadores estão nos bancos privados. A imensa maioria dos bancários da nossa base se acostumou a ver a campanha salarial como algo que é feito pelo sindicato em seu nome, que não precisa da sua participação e envolvimento pessoal. Isso acontece por dois motivos principais:
Primeiro, porque os próprios dirigentes sindicais incentivam a não participação dos bancários, tratam as campanhas salariais exatamente dessa forma, como algo que diz respeito a eles e não aos trabalhadores. Assim, a grande maioria dos bancários não acompanha o que a diretoria do sindicato faz ou deixa de fazer, nem nas greves, nem no dia a dia. E como os bancários na maioria não acompanham, não fazem cobranças à diretoria por não cumprir o seu papel.
Segundo, os bancos (assim como toda a classe capitalista e os meios de comunicação a seu serviço) bombardeiam diariamente os bancários com a ideia de que a sua melhoria de vida depende de esforço individual e não de ações coletivas. Com isso, os trabalhadores veem os colegas como competidores pelos cargos melhor remunerados, e não como companheiros que partilham a mesma realidade. Mas acontece que não haverá cargos para todos, e a maioria vai ficar pelo caminho!
Por esses motivos, a maioria dos bancários da nossa base não participa das campanhas. Há a ideia de que quem faz greve ou se manifesta contra a empresa será demitido. Mas as demissões acontecem de qualquer forma! Todos os anos milhares de bancários são demitidos, não importa se fazem ou não fazem greve, se tem muitos anos na empresa ou não, o quanto se dedicaram, etc. Os bancos não se preocupam com a vida dos seus funcionários e sim com o lucro a qualquer custo. Para os que ficam, resta um ambiente permanente de medo, o assedio moral dos gestores, o excesso de serviço e o adoecimento físico e psicológico.
É para lutar contra essa realidade que existe o sindicato! O sindicato somos todos nós, bancários, que vivemos essa realidade no dia a dia, ele não pertence à diretoria. Nós bancários devemos colocar como prioridade em todas as campanhas a luta pela estabilidade no emprego. Em muitas categorias há acordos em que se estabelece a proibição das empresas demitirem. Isso seria o ponto de partida para lutar por mais conquistas, e deveria ser um dos pontos principais da nossa pauta. Mas se a diretoria do sindicato não cumpre o seu papel, façamos nós mesmos o que nos diz respeito. Entre em contato conosco, vamos encontrar juntos maneiras de lutar!

CONTRA O ATAQUE À ORGANIZAÇÃO DE BASE! CONTRA O ASSEDIO MORAL!

A gestão privatista que está implantada no BB comanda o banco como se fosse privado, visando o lucro a qualquer custo, com juros abusivos, tarifas extorsivas e venda casada de “produtos bancários”. Essa gestão privatista precisava tentar quebrar a resistência do funcionalismo e para isso foi fundamental isolar o setor dos caixas.
A partir da criação do PSO, os caixas deixam de estar subordinados à gerência das agências e passam a responder a uma central remota, que comanda dezenas de caixas e gerentes de serviço em dezenas de agências diferentes. Isso trouxe um brutal enfraquecimento da organização de base nas agências. Agora, nem os caixas podem eleger representantes próprios, já que estão espalhados e não se conhecem, nem podem ser eleitos para representar as agências, já que o número de delegados sindicais está limitado pelo total do prefixo. Há caixas que são eleitos delegados sindicais pelas agências, mas não são recohecidos pelo banco, porque pertencem ao PSO.
Trata-se de uma evidente tentativa do banco de evitar a organização do segmento mais combativo do funcionalismo. Os caixas tiveram uma adesão de cerca de 90% na última greve, o que demonstra o seu papel fundamental na luta. A única saída contra os ataques do banco é a organização e a mobilização coletiva! É preciso unificar todos os segmentos do funcionalismo do BB, pelas suas pautas específicas e pelas pautas gerais da categoria e do conjunto da classe trabalhadora. E para isso, precisamos de organização de base. Ou a direção do sindicato realiza novas eleições para delegados sindicais do PSO ou enfrenta o banco para que reconheça os delegados que foram eleitos pelas agências. A organização dos trabalhadores deve ser prerrogativa dos próprios trabalhadores, e não sujeita ao arbítrio do patrão! A direção do sindicato deve garantir a organização dos caixas do BB, para que possamos lutar ao lado e em conjunto com os demais!
Na CEF, essa mesma gestão privatista está também visando concorrer com os demais bancos e aplicando os mesmos métodos. Está sendo institucionalizado o assedio moral por meio da GDP, um sistema de avaliação com metas individuais. Com isso, a pressão dos administradores sobre cada trabalhador será muito maior! A GDP poderá ser usada também como mecanismo para perseguir ativistas, instalar processos administrativos, demitir, enquadrando os trabalhadores. Temos que resistir a esse ataque e barrar o conjunto do projeto privatista em aplicação no BB e CEF!


Nota sobre o PSO (caixas do Banco do Brasil)


DIREÇÃO DO SINDICATO NÃO RESPONDE AO ATAQUE DO BANCO DO BRASIL À ORGANIZAÇÃO DE BASE!

A gestão privatista que está implantada no BB comanda o banco como se fosse privado, visando o lucro a qualquer custo, com juros abusivos, tarifas extorsivas e venda casada de “produtos bancários”. Os lucros bilionários do BB são usados pelo seu acionista majoritário, o Tesouro Nacional, para pagar a dívida pública (que consome 40% da arrecadação do Estado, em detrimento da saúde, educação, transporte e demais serviços públicos), ou seja, vão parar direto no bolso dos grandes especuladores nacionais e internacionais, que é para quem, no final das contas, nós trabalhamos. Essa gestão foi iniciada nos governos do PSDB, foi mantida idêntica pelos governos do PT, e não seria alterada com uma eventual vitória do PSB. Todos esses partidos governam para a classe capitalista, favorecendo em especial o seu setor mais poderoso, os banqueiros.
O BB é um banco público apenas nominalmente, porque seu acionista majoritário é o Estado, mas o seu modo de funcionamento já é idêntico ao dos bancos privados. Para aumentar os lucros, além de explorar os clientes, é preciso explorar também os funcionários, que convivem com perdas salariais acumuladas (cerca de 80% em relação à implantação do real em 1994), fim do plano de carreira, sucateamento da CASSI, etc. No dia a dia os funcionários enfrentam a sobrecarga de serviço devido à falta de contratações e à cobrança de metas. O assédio moral sistemático está institucionalizado como ferramenta de administração. Como recompensa, os gerentes, superintendentes, diretores, toda a cúpula do banco, recebe participações nos lucros milionárias, comportando-se como se fossem donos da empresa, no que se refere ao autoritarismo e à cobrança de metas.

Essa gestão privatista precisava tentar quebrar a resistência do funcionalismo e para isso foi fundamental isolar o setor dos caixas. Desde a retomada das greves na categoria bancária, em 2003, os caixas do Banco do Brasil foram durante muitos anos a vanguarda da luta nas agências, fornecendo a maioria dos ativistas e delegados sindicais. Os caixas eram decisivos para parar as agências nas greves e estimular escriturários e assistentes a parar também. As reestruturações do BB em 2007 e especialmente a implantação do PSO em nível nacional a partir de 2011 foram ataques decisivos contra esse segmento do funcionalismo.
A partir do PSO, os caixas deixam de estar subordinados à gerência das agências e passam a responder a uma central remota, que comanda dezenas de caixas e gerentes de serviço em dezenas de agências diferentes, podendo inclusive deslocá-los de um local de trabalho para outro. Muitos caixas do BB consideram que houve alguma melhora nas condições de trabalho com o PSO devido à autonomia em relação à alguns aspectos do serviço. Entretanto, é preciso observar o quadro geral e entender a lógica do projeto privatista que está em aplicação no banco. O isolamento dos caixas em relação às agências, em longo prazo, abre caminho para que a função de caixa seja terceirizada ou assumida por correspondentes bancários, sendo extinta das agências.

A criação do PSO trouxe um brutal enfraquecimento da organização de base nas agências, independentemente do que venha a acontecer em relação a essa função ser extinta no futuro ou não. Como dissemos acima, a maior parte dos delegados sindicais e ativistas nas agências eram caixas. Agora, o banco interpreta literalmente o acordo de trabalho e trata o PSO como se fosse um só local de trabalho, um único prefixo, com direito a um número limitado de delegados sindicais, mesmo que os funcionários subordinados a este prefixo estejam espalhados por dezenas de locais. Assim, nem os caixas podem eleger representantes próprios, já que estão espalhados e não se conhecem, nem podem ser eleitos para representar as agências, já que o número de delegados está limitado pelo total do prefixo. Há caixas que são eleitos delegados sindicais pelas agências, mas não são reconhecidos pelo banco, porque pertencem ao PSO.
Trata-se de uma evidente ingerência do banco no processo de organização dos trabalhadores. Essa medida administrativa do banco não é apenas uma mudança “inocente” na sua estrutura interna, ela tem a intenção explícita de evitar a organização do segmento mais combativo do funcionalismo da empresa. Os caixas tiveram uma adesão de cerca de 90% na última greve, o que demonstra o seu papel fundamental na luta. Ou a direção do sindicato enfrenta o banco para que libere os delegados sindicais eleitos, ou faz nova eleição para que o setor do PSO possa eleger representantes próprios. A direção não fez nem uma coisa nem outra, simplesmente pediu que alguns delegados sindicais eleitos declinassem do cargo para se encaixar no número previsto pelo banco.

Esse tipo de resposta é só mais um exemplo de como esta direção sindical não tem a intenção de organizar os trabalhadores e enfrentar de fato a gestão instalada no banco. E isso não é simples incompetência ou acidente, mas decorre do fato de que os dirigentes do sindicato tem um lado, e não é o dos trabalhadores. Eles pertencem ao PT, partido que comanda o governo federal há 12 anos e portanto comanda também os bancos (nominalmente) públicos. Os dirigentes sindicais da CUT estão mais preocupados com os interesses do seu partido do que com o dos trabalhadores que deveriam representar!
A única saída contra os ataques do banco é a organização e a mobilização coletiva! É preciso unificar todos os segmentos do funcionalismo do BB, pelas suas pautas específicas e pelas pautas gerais da categoria e do conjunto da classe trabalhadora. E para isso, precisamos de organização de base. Ou o sindicato realiza novas eleições para delegados sindicais do PSO ou enfrenta o banco para que reconheça os delegados que foram eleitos pelas agências. A organização dos trabalhadores deve ser prerrogativa dos próprios trabalhadores, e não sujeita ao arbítrio do patrão. O sindicato deve garantir a organização dos caixas do BB, para que possamos lutar ao lado e em conjunto com os demais!

* Contra a ingerência do banco na organização dos trabalhadores! Pelo reconhecimento dos delegados sindicais!

* Reuniões periódicas e deliberativas de delegados sindicais!

* Retomar a luta pelo fim do PSO e pela reincorporação dos caixas às agências, com a dotação adequada! Fim das metas e do assédio moral!

* Retomar a luta por toda a pauta específica do BB:

- Por um plano de reposição das perdas salariais acumuladas (80%)!
- Isonomia entre funcionários novos, antigos e incorporados, garantindo-se o que for mais vantajoso para o trabalhador!
- Volta do pagamento das substituições!
- Contra o sucateamento da CASSI! Revogação da reforma estatutária de 2007 e pagamento da dívida do banco!
- Plano 1 da PREVI para todos!
















Boletim para o PSO (caixas do Banco do Brasil)


BOLETIM PSO – AGOSTO 2014

            Desde a retomada das greves na categoria bancária, em 2003, os caixas do Banco do Brasil foram durante muitos anos a vanguarda da luta nas agências, fornecendo a maioria dos ativistas e delegados sindicais. Os caixas eram decisivos para parar as agências nas greves e estimular escriturários e assistentes a parar também. As reestruturações do BB em 2007 e especialmente a criação do PSO em 2011 foram ataques decisivos contra esse segmento do funcionalismo.

            A gestão privatista que está implantada no BB comanda o banco como se fosse privado, visando o lucro a qualquer custo, com juros abusivos, tarifas extorsivas e venda casada de “produtos bancários”. Os lucros bilionários do BB são usados pelo seu acionista majoritário, o Tesouro Nacional, para pagar a dívida pública, ou seja, vão parar direto no bolso dos grandes especuladores nacionais e internacionais, que é para quem, no final das contas, nós trabalhamos.
            Para aumentar esses lucros, além de explorar os clientes, é preciso explorar também os funcionários, que convivem com perdas salariais acumuladas (cerca de 80% em relação à implantação do real em 1994), fim do plano de carreira, sucateamento da CASSI, etc. No dia a dia os funcionários enfrentam a sobrecarga de serviço devido à falta de contratações e à cobrança de metas. O assédio moral sistemático está institucionalizado como método de gestão.

            Essa gestão privatista precisava tentar quebrar a resistência do funcionalismo e para isso foi fundamental isolar o setor dos caixas, através do PSO. Muitos colegas caixas consideram que houve alguma melhora nas condições de trabalho com o PSO. Afinal não há mais interferência dos gerentes das agências no serviço, os malotes foram reduzidos e normatizados, há uma sensação de maior autonomia dos trabalhadores, etc.
            Entretanto, é preciso observar o quadro geral e entender a lógica do projeto privatista que está em aplicação no banco. O isolamento dos caixas em relação às agências, em longo prazo, abre caminho para que a função de caixa seja terceirizada ou assumida por correspondentes bancários, sendo extinta das agências.

            No curto prazo, o efeito imediato do PSO foi um ambiente de estranhamento entre o pessoal das agências e do PSO, como se se tratasse de empresas diferentes. Como ambos os setores estão sujeitos a metas, não é comum que surja uma hostilidade velada, uma competição mais ou menos disfarçada. Existem agências em que não há funcionários fazendo triagem do público ou emitindo as senhas do GAT. Com isso, o público deságua diretamente no caixa pedindo informações ou serviços que não pertencem ao setor, sobrecarregando as filas, sendo que os caixas são cobrados exatamente por tempo de atendimento. Da parte das agências, existe a concepção de que os caixas só atrapalham as metas, porque não se dobram a certas exigências de clientes especiais, seguem os seus normativos e não as conveniências negociais. Ou o que é pior, os caixas “não dão resultado” para o banco, o que seria muito “grave”, uma vez que boa parte dos funcionários já interiorizou a ideia de que o banco deve dar lucro a qualquer custo.

            A criação do PSO trouxe um brutal enfraquecimento da organização de base nas agências, independentemente do que venha a acontecer em relação a essa função ser extinta no futuro ou não. Como dissemos acima, a maior parte dos delegados sindicais e ativistas nas agências eram caixas. Agora, nem os caixas tem representação própria, já que não há delegados sindicais do PSO, nem podem de fato se candidatar para representar as agências. O banco trata o PSO como se fosse um “prédio” e libera apenas o número de delegados que cabe a este “prédio”, não reconhecendo os demais eleitos pelas agências.
            A separação do funcionalismo do banco em segmentos estranhos e até opostos traz conseqüências danosas para todos. Foi o que vimos na reestruturação de 2013, que enterrou a luta pela 7ª e 8ª horas dos comissionados, e que não foi combatida como se deve, por uma greve de fato, já que se estabeleceu a cultura de que “comissionado não faz greve”. Agora, o prejuízo fica para todos os que vierem a assumir comissões.

            A única saída contra os ataques do banco é a organização e a mobilização coletiva! É preciso unificar todos os segmentos do funcionalismo do BB, pelas suas pautas específicas e pelas pautas gerais da categoria e do conjunto da classe trabalhadora. E para isso, precisamos de organização de base. Ou o sindicato realiza novas eleições para delegados sindicais do PSO ou enfrenta o banco para que reconheça os delegados que foram eleitos pelas agências. A organização dos trabalhadores deve ser prerrogativa dos próprios trabalhadores, e não sujeita ao arbítrio do patrão. O sindicato deve garantir a organização do  nosso setor, para que possamos lutar ao lado e em conjunto com os demais!

* Contra a ingerência do banco na organização dos trabalhadores! Pelo reconhecimento dos delegados sindicais!

* Reuniões periódicas e deliberativas de delegados sindicais!

* Retomar a luta pelo fim do PSO e pela reincorporação dos caixas às agências, com a dotação adequada! Fim das metas e do assédio moral!

* Retomar a luta por toda a pauta específica do BB:

- Por um plano de reposição das perdas salariais acumuladas (80%)!
- Isonomia entre funcionários novos, antigos e incorporados, garantindo-se o que for mais vantajoso para o trabalhador!
- Volta do pagamento das substituições!
- Contra o sucateamento da CASSI! Revogação da reforma estatutária de 2007 e pagamento da dívida do banco!
- Plano 1 da PREVI para todos!


Panfleto do Avante, Bancários! para a Bradesco - Cidade de Deus - Osasco, 2014

O que é o Avante Bancários?
Somos uma frente de oposição bancária, com agrupações que atuam na CEF e BB, que se formou a partir da luta contra a tentativa da CEF em demitir por justa causa o Messias Américo, por defender os direitos dos trabalhadores e lutar por melhores condições de trabalho e atendimento à população.
Somos oposição à direção atual do nosso sindicato pois entendemos que esta está totalmente “articulada” com o governo e as direções dos bancos. Governo que tem feito banqueiros e construtoras lucrarem como nunca se viu neste país e, embora diga que criou muitos empregos, não diz que a maioria são de postos precários. Por outro lado, temos visto qual tem sido o tratamento aos trabalhadores que decidem ir à luta.
Na greve do ano passado rompemos com o “script” que todo ano o sindicato tenta impor. Diferente dos piquetes “queijo suíço” onde entram os grandes figurões, conseguimos impor em alguns locais piquetes de verdade com trancamentos totais, colocando lado a lado questões de trabalhadores efetivos e terceirizados. No Telebanco do Bradesco, conseguimos impor um piquete de verdade, sob controle dos trabalhadores em greve, mostrando quem tem realmente nas mãos o controle de todo o trabalho.
Para avançar em ações que possam realmente arrancar nossas reivindicações, precisamos nos organizar cada vez mais a partir de nossos locais de trabalho, com representantes da CIPA, delegados sindicais e, inclusive, encontrando outras formas de organização para debater quais serão os rumos da nossa greve.

Como o recente período de greves em 2014 podem deixar lições importantes para os bancários?
No último período, greves de diversas categorias vêm mostrando que importantes mudanças estão se gestando entre os trabalhadores. Desde a greve dos garis no RJ, passando pela greve dos motoristas e cobradores de ônibus em SP, temos visto como os trabalhadores tem enfrentado as amarras que as direções traidoras de seus sindicatos, há muito tempo ligadas aos patrões. Os trabalhadores questionaram com fortes greves, a maneira como suas próprias direções “negociam”, por fora dos interesses da categoria, em conchavo com os interesses patronais.
Acompanhamos também a  luta dos metroviários de São Paulo, que levaram a greve até seu 5º dia, se enfrentando com as chefias fura-greves, com os planos de contingência da empresa, com o TST que declarou a abusividade da greve e com a polícia, que reprimiu duramente os trabalhadores que exerciam seu direito de greve. Com a greve fortalecida a este ponto, toda a patronal e o governo já sabiam que uma vitória dos metroviários, setor estratégico da maior cidade do país, poderia incendiar outras categorias a seguirem o exemplo. Eles não quiseram sequer hesitar com essa possibilidade e levaram até o fim os ataques que culminaram na demissão de 42 metroviários.
A partir dessas experiências, é fundamental tirarmos lições para que os bancários possam tomar de volta a greve e a luta para si e não mais como uma realidade distante, que só o sindicato faz acontecer por fora de muitos interesses dos bancários.
Nos bancos privados, sabemos que há uma ditadura velada, onde a direção só tem compactuado com a ideia de que bancário de banco privado não pode fazer greve, deixando passar ataques ao direito de greve dos bancários, naturalizando as demissões como punição e naturalizando que elas ocorram independente dos bancários terem feito greve ou não, o que denuncia quanto está comprometida até o pescoço com os banqueiros.
Afinal, porque nas greves, o sindicato não coloca peso em construir um piquete de verdade na Cidade de Deus, que é a matriz do 2º maior banco privado do país e que poderia mudar a correlação de forças para conquistarmos nossas demandas?
É importante que cada bancário tome pra si a tarefa de discutir como e o que devemos fazer para contarmos e organizarmos nossas próprias forças para derrotar as amarras que nos impedem de lutar de fato pelas nossas demandas. E em ano de eleição, a direção do sindicato já começa a preparar suas amarras para a nossa luta, pois estará mais preocupada em garantir o bom andamento das eleições, e dar peso na campanha de seus candidatos e praticamente nenhum à campanha salarial.

Por isso, fazemos um amplo chamado a um encontro de bancários que organizaremos em agosto. Para, mais do que discutir a pauta (que a cada ano é decidida longe da realidade dos bancários), discutirmos quais devem ser os métodos para conseguirmos impor uma correlação de forças onde os bancários possam, de fato, retomar o controle da greve e da luta. 

Emprego em baixa

Matéria sobre desemprego publicada no site da FNOB em 2014


Emprego em baixa! Crescimento zero do Brasil começa a afetar diretamente o mercado de trabalho.
A economia brasileira gerou apenas 25,3 mil postos de trabalho em junho, o pior número registrado no período nos últimos 16 anos, segundo dados divulgados pelo Ministério do Trabalho! Segundo os dados oficiais, o número representa uma queda de 83,9% em relação ao mesmo mês do ano anterior, quando foram gerados 123,8 mil empregos, e é o resultado de 1.639.407 contratações e 1.614.044 demissões em junho.
Durante o primeiro semestre do ano, o Brasil gerou 588,6 mil postos de trabalho, e nos últimos 12 meses foram criados 763,4 mil empregos. Para compararmos, no início do ano, o governo Dilma esperava que 2 milhões de empregos fossem gerados em 2014, número que já é impossível de ser conquistado, e cuja metade já será complicado de ser atingida.
O setor mais afetado no mês de junho foi o da indústria de transformação, que perdeu 28,5 mil postos de trabalho, seguido do da construção civil (-12,4 mil) e o do comércio (-7 mil).
Além da economia estagnada e do desastre dos números econômicos de todo o governo Dilma, até mesmo a Copa do Mundo atrapalhou o emprego. Ao contrário do que boas notícias específicas sobre um ou outro setor tentam dar a entender, para o conjunto da economia, a Copa só trouxe prejuízos. Os feriados nacionais e regionais implantados, a diminuição nos horários de atendimento, e o encalhamento de produtos projetados para o Mundial, contribuíram para a redução de vendas em lojas, produção industrial e transações econômicas em geral.
Esta realidade dura, que já é marcada por uma onda de demissões entre metalúrgicos, e que resultou num saldo negativo de emprego entre os bancários no 1º semestre de 2014, tende a se agravar ainda mais. A nova previsão dos economistas aponta para um PIB negativo do Brasil no 2º trimestre recém terminado, e para uma estagnação da economia no somatório do ano, com o PIB sendo inferior a 1%.
Os trabalhadores precisam sair às ruas exigindo a estabilidade no emprego, a redução da jornada de trabalho para 36h semanais e o reajuste salarial generalizado para todas as categorias, vítimas de uma inflação crescente, que já faz com que os alimentos estejam 10% mais caros em apenas um ano. Defendemos a construção de uma Greve Geral como parte de um movimento amplo de combate ao governo Dilma e à patronal, responsáveis por aprofundar a crise no Brasil e jogar seus efeitos sobre as costas dos trabalhadores.
Esta luta deve partir das categorias que já estão em luta e do enorme peso de setores que vão entrar em campanha salarial em agosto e setembro, como bancários, petroleiros, metalúrgicos e trabalhadores dos Correios. É necessário, desde já, coordenar a unificação destas campanhas e das lutas com trabalhadores públicos, do setor de transportes e movimentos pela moradia, que já estão em plena mobilização.