terça-feira, 1 de abril de 2014

Contribuição ao seminário do Avante, Bancários!




APRESENTAÇÃO



Apresentamos a seguir a contribuição do coletivo Bancários de Base – SP ao seminário do Avante, Bancários! Essa contribuição se divide em quatro partes:

No primeiro ponto, apresentamos um breve histórico e balanço do que foi o Avante, Bancários! desde os processos iniciais que levariam à sua formação até o momento que precede a realização do seminário.

Na segunda parte, o núcleo dessa contribuição, apresentamos nossa proposta para um Manifesto ou Carta de Princípios do Avante, Bancários! Essa proposta é precedida de uma fundamentação teórica onde pontuamos nossa visão do momento histórico, da realidade mundial e nacional, do governo do PT e sua relação com o capital financeiro e os movimentos sociais (em especial o sindical), e da situação da categoria bancária. Essa fundamentação não será objeto de votação nem será incorporada à Carta de Princípios, mas está presente com o objetivo de expor a lógica de nossa intervenção e o sentido por trás das propostas que apresentamos, de maneira a facilitar o entendimento e o posicionamento dos demais.

Na terceira parte debatemos as tarefas imediatas que teremos no primeiro semestre, como a preparação da campanha salarial e as diversas eleições com que estará defrontada a categoria bancária.

No último ponto, listamos as propostas relativas ao funcionamento do Avante, Bancários!



1. HISTÓRICO E BALANÇO



Os antecedentes do Avante, Bancários! estão na campanha contra a demissão do companheiro Messias, já em fins de 2012. Naquele momento, vários dos coletivos e militantes participaram das reuniões que pressionaram as entidades sindicais e associativas dos funcionários da CEF a agir contra a demissão, e participaram dos atos públicos de denúncia da CEF. No momento seguinte, os integrantes desses coletivos voltaram a se encontrar no CONECEF 2013, onde enfrentaram o rolo compressor da burocracia sindical da Articulação e seus satélites.

Já se evidenciava o peso desproporcional da CEF na composição desses agrupamentos, uma vez que o BB vive um momento de sucessivas derrotas e esvaziamento das lutas. Essa sequência negativa teve mais um episódio no próprio ano de 2013, quando o novo plano de funções enterrou a luta pela 7ª e 8ª h, com a indispensável colaboração da burocracia sindical governista e a despeito dos nossos esforços. Com isso, o BB segue sendo mais recuado nas lutas da categoria em relação à CEF.

O passo seguinte que viria resultar no que é hoje o Avante, Bancários! começou na plenária de 29 de junho, convocada pelo Bancários de Base. O projeto inicial era dar impulso à preparação da campanha salarial 2013. A partir da reunião inicial, constituiu-se uma espécie de frente informal entre diversos coletivos e ativistas, dando uma dinâmica nova e superior ao que tinha sido inicialmente proposto. No curso do processo, outras preocupações se incorporaram, como a tentativa de associar a preparação da campanha salarial da categoria ao importantíssimo processo de luta que se desenvolvia no país, que acabaria recebendo o nome de “jornadas de junho”. Até a deflagração da greve, vários panfletos foram editados estimulando a categoria bancária a romper com o roteiro das campanhas salariais dos anos anteriores, acompanhando o exemplo das outras lutas em curso.

A mudança na conjuntura do país e a intervenção do Avante, Bancários! nas assembleias no período preparatório e na própria greve surtiram efeitos limitados na categoria, podendo ter levado a uma maior adesão e maior duração da greve, mas não a uma participação mais ativa na própria greve. Não houve base social mobilizada suficiente para tirar a greve do controle da burocracia sindical.

Na ausência de uma autêntica rebelião de base durante a greve, o Avante, Bancários! apostou na retomada dos piquetes na forma como devem ser feitos, com trancamento completo dos prédios. Essa tática surtiu algum efeito, causando incômodo real aos bancos, obrigando a burocracia e outros setores a se mover. Ainda assim, o controle burocrático sobre a campanha foi mantido. A mobilização dos bancos, em conjunto com a diretoria do sindicato, foi suficiente para levar às assembleias um número de gestores e fura greves maior do que o de grevistas, possibilitando assinar mais um acordo rebaixado e encerrar a campanha sem sequer começar a discutir as questões vitais da categoria.

A unidade alcançada nos piquetes mostrou um potencial importante de mobilização, sinalizando a possibilidade de construção de uma alternativa de oposição. No próprio curso da greve a ideia de explorar as possibilidades de continuidade do Avante, Bancários! se tornou consensual entre os participantes, levando à proposta de organização de um seminário.



2. PROGRAMA



2.1. Fundamentação



O Avante, Bancários! surge a partir do ajuntamento de diversos coletivos que já tinham um histórico e um acúmulo de concepções e atuação independentes anteriormente. Para que esses diversos coletivos possam ter uma atuação comum enquanto frente daqui por diante, precisamos identificar quais os pontos de acordo que existem e que podem ser defendidos por todos. Esses pontos formarão o “programa” do Avante, Bancários!, ou sua “Carta de Princípios” e de apresentação para a categoria. Convidaremos os bancários a se juntar a nós apresentando esses pontos comuns como sendo a base para que participem do coletivo.

Para se chegar a esses pontos comuns, cada coletivo apresentará as suas propostas. Para chegar a suas propostas, cada coletivo seguiu um percurso e adotou uma lógica, uma linha de pensamento. Apresentamos logo adiante, no ponto 2.7. as propostas do coletivo Bancários de Base, mas antes apresentamos os elementos de nossa compreensão da realidade, a partir dos quais chegamos a essas propostas de ação.

Não esperamos convencer os demais a pensar como nós. Numa frente como a que estamos construindo, não é necessário que haja unidade de pensamento para que haja unidade de ação. Apresentamos esses elementos de fundamentação para que os demais possam entender a lógica de nossas propostas, o porquê de defendermos as ideias que defendemos, qual o sentido da nossa intervenção. Mesmo após esse seminário e ao longo da nossa atuação conjunta, seguirão havendo diferenças entre os diversos coletivos e pontos que precisarão ser debatidos. O debate permanente, assim como a diferença de pensamento, repetimos, não é uma obstáculo para a ação conjunta. Mas para que esse debate seja construtivo, é fundamental que seja feito de maneira honesta e transparente.

É em nome dessa transparência que apresentamos um resumo das nossas concepções sobre a realidade da categoria bancária e da classe trabalhadora como um todo, em escala nacional e internacional, para que os demais coletivos e participantes do Avante, Bancários! entendam a lógica que orienta nossas propostas, para que possam se posicionar em relação a elas com maior clareza, tanto contra como a favor.



2.2. Pressupostos históricos



Vivemos hoje num cenário determinado pela convergência de duas crises: a crise estrutural do capital e a crise da alternativa socialista.

A crise estrutural do capital significa que o sistema atingiu o seu limite de expansão em escala global. As relações capitalistas se tornaram predominantes em todo o planeta, e não havendo fronteiras externas pra onde se expandir, o sistema precisa se expandir “internamente”, o que significa que as suas contradições se tornam cada vez mais agudas. No passado as crises do capitalismo exigiam uma imensa destruição para que o sistema voltasse a funcionar, como a destruição causada pelas Guerras Mundiais. Hoje, com armas nucleares, uma guerra mndial destruiria o planeta. Por isso, o capitalismo desloca suas contradições por meio de outras formas de destruição, ambiental, social, etc. Essa ausência de mecanismos “clássicos” de deslocamento de contradições é o que caracteriza a crise estrutural.

Nesse período histórico de crise estrutural, que se arrasta há várias décadas, as crises econômicas periódicas são cada vez mais graves, mais profundas e mais globais, como acabamos de presenciar a partir de 2008, e os períodos de recuperação são cada vez mais limitados, mais curtos e mais restritos a alguns países. Os sintomas dessa crise estrutural são a degradação ambiental (acelerada pela taxa de utilização decrescente das mercadorias e pela produção destrutiva que visa atender necessidades artificiais), o desemprego estrutural, a intensificação das rivalidades nacionais e das agressões imperialistas, o endividamento crônico de países, empresas e trabalhadores e a especulação desenfreada.

Ainda que o capitalismo esteja passando por esse momento de crise estrutural, a sua dominação permanece de pé devido à ausência de um projeto societário alternativo, fenômeno que denominamos de crise da alternativa socialista. Logo depois do fim da URSS e do Muro de Berlim, entre 1989-91, disseminou-se a ideia do “fim da história”, “fim do socialismo”, “fim das utopias”, etc. As novas gerações foram criadas com a ideia de que não há alternativa ao capitalismo.

Ainda que a URSS e os países que seguiam o seu “modelo” não possam ser considerados como exemplos de socialismo, a sua simples existência funcionava como contraposição ao capitalismo e sustentáculo da ideia de transformação e revolução. A luta contra o sistema era considerada viável e desejável. Depois da sua queda (as razões dessa queda e de porque o sistema vigente em tais países não podia ser considerado exemplo de socialismo excedem o alcance deste debate), consolidou-se a ideia contrária, de que o capitalismo iria durar eternamente e tudo o que se pode fazer é aperfeiçoá-lo ou “humanizá-lo”.

As organizações dos trabalhadores em todo o mundo, partidos, sindicatos, centrais e movimentos, abandonaram a perspectiva do socialismo e passaram alegremente para a colaboração de classe ou mesmo para a própria administração do capitalismo. Aderiram de malas e bagagens para a “democracia como valor universal”, o reformismo sem reformas, e todo tipo de ideologia pós-moderna.

Sem a perspectiva de uma luta ofensiva para transformar o sistema, os trabalhadores vivenciaram derrotas mesmo nas lutas defensivas, experimentando a degradação dos seus salários, direitos, condições de vida. Essas lutas defensivas foram abandonadas ou travadas em condições desvantajosas, sob a liderança de direções partidárias e sindicais comprometidas com a continuidade do capitalismo e a ocupação de posições intermediárias na gestão do sistema.

Viveu-se uma tremenda desacumulação de forças da classe trabalhadora. Houve um enorme esvaziamento dos partidos, sindicatos, movimentos, associações e coletivos. As greves, ocupações, ações diretas, piquetes, passaram para o descrédito. Os trabalhadores deixaram de acreditar em ações coletivas e passaram para a busca de soluções individuais. Tornaram-se moda filosofias irracionalistas, que negam a possibilidade de entender a totalidade do real e de intervir na história, fragmentando a cultura, a ciência, a arte, a ética, etc. O fundamentalismo religioso e o niilismo convivem lado a lado.

Sem um obstáculo à altura, por conta da prostração política dos trabalhadores, as chamadas políticas neoliberais (reestruturação produtiva, privatizações, desregulamentação, abertura comercial, “reformas” da previdência, fiscal, trabalhista, universitária, etc.) se tornaram padrão universal em todos os governos, tanto por parte dos partidos burgueses tradicionais quanto dos antigos partidos operários reformistas e burocráticos convertidos em gestores do sistema. Essas políticas aceleraram a transferência de recursos dos trabalhadores para o capital, conferindo uma sobrevida ao sistema, mas ao mesmo tempo aprofundando os problemas sociais.

Nas últimas décadas houve várias lutas que tentaram resistir aos ataques neoliberais, em especial a partir da crise de 2000-2001. O problema é que, nas condições da crise estrutural, mesmo as lutas defensivas para preservar empregos, salários, condições de trabalho, direitos e condições de vida em geral não serão bem sucedidas se forem travadas sem uma perspectiva ofensiva, revolucionária, de superação do sistema. As poucas conquistas e melhorias pontuais que podem ser obtidas em alguns setores e algumas categorias são de pouca duração e estão sob ataque constante da burguesia e do Estado. Não há possibilidade de reformas duradouras no sistema, de voltar ao antigo “wellfare state” que vigorou em alguns países, ou de atingí-lo onde nem sequer foi construído.

Mesmo as lutas defensivas se chocam hoje contra as margens estreitas de gestão que restaram ao Estado, cujo orçamento está comprometido com o serviço de dívidas infindáveis e o parasitismo do capital financeiro. Medidas como o não pagamento da dívida ou mais verbas para o serviço público se enfrentam com pilares do capitalismo. A única alternativa da luta por melhorias, se não quiser naufragar no pântano dos parlamentos, das ONGs, dos debates acadêmicos estéreis, etc., é colocar-se como uma luta contra o capitalismo, ou seja, é a revolução.



2.2. Situação mundial



A despeito do discurso dos ideólogos burgueses e de ex-organizações operárias, a história não acabou e o capitalismo não deixou de vivenciar crises cada vez mais graves, como acabamos de presenciar a partir de 2008. No momento imediato após esta crise, os trabalhadores foram surpreendidos por uma onda de demissões, reduções de salários, retirada de direitos, especialmente nos países imperialistas, e não apresentaram quase nenhuma resistência. Trilhões de dólares foram entregues pelos governos aos bancos e grandes empresas para reanimar a economia capitalista. As consequências de tamanha generosidade para com o capital foram o aumento explosivo do endividamento estatal, e para lidar com ele, as medidas de “austeridade” contra os trabalhadores, ou seja, cortes nos gastos sociais e sucateamento dos serviços públicos. Os resultados desses ataques se acumularam a ponto de fazer com que os trabalhadores começassem a reagir, a despeito da falta de organizações, perspectivas, consciência, liderança, projetos, etc., herdada do período anterior.

Lentamente, as respostas dos trabalhadores foram se avolumando, até explodirem a partir de 2011 numa série de movimentos como a Primavera Árabe, Indignados, Ocupar Wall Street, levante estudantil no Chile, greves gerais nos países “PIGSs”, revolta dos jovens em Londres, até mais recentemente a ocupação da praça Taksim em Istambul e as “jornadas de junho” no Brasil. Todas essas expressões multifacetadas de insatisfação com as consequências da crise e as opções dos governos de privilegiar o capital representam um recomeço da experiência histórica dos trabalhadores, que tinha sido truncada pelos retrocessos da década de 1990, como discutimos no ponto anterior.

Nesse momento de recomeço, os trabalhadores não têm sobre si o peso da derrota das gerações anteriores, pois não tiveram que conviver com o impacto histórico de 1989-91 e o discurso de “fim da história”, “fim do socialismo”, etc. Por outro lado, não têm o acúmulo das gerações anteriores em termos de consciência, programa, organização, que permitiriam a essas lutas dar saltos em direção à superação do capitalismo. Em outras palavras, não têm uma alternativa socialista que lhes permita lutar não apenas para derrubar os governantes de plantão, mas o próprio Estado, o sistema econômico e o conjunto da ordem social, substituindo-a de maneira revolucionária por um projeto socialista dos trabalhadores.

Nesse contexto, vivemos uma situação mundial de ascenso das lutas, marcada por importantes contradições, como a ausência do protagonismo dos setores organizados da classe trabalhadora e a ausência de um projeto socialista. Na falta dessa alternativa, as importantes lutas que caracterizam a nova situação mundial após 2011 ainda estão em aberto, podendo vir a ser dirigidas pela esquerda ou correndo o risco de serem cooptadas pelo imperialismo (casos da Líbia e da Síria, que ainda estão em aberto, repetimos), por correntes fundamentalistas religiosas (caso do Egito, que retrocedeu para a ditadura militar depois da experiência com a Irmandade Muçulmana), pelas burocracias sindicais e pelos velhos partidos sociais-democratas (caso da maioria dos países europeus), por correntes pós-modernas que recusam a organização e a luta pelo poder (caso dos Indignados e do Ocupar Wall Street), por alternativas eleitorais de direita (como pode acontecer no Brasil). Quando tudo isso falha para conter as lutas, a burguesia recorre a alternativas de ultra-direita, como o Tea Party nos Estados Unidos ou o Aurora Dourada na Grécia.

No primeiro momento após a crise os países periféricos de grande porte (os chamados BRICS) foram os responsáveis pela retomada do crescimento capitalista. Nos últimos dois anos, esses países têm diminuído seu ritmo e o crescimento volta para os países imperialistas. Mas trata-se de uma “jobless recovery”, como se diz nos Estados Unidos, ou seja, uma recuperação da economia sem geração de empregos. As empresas estão produzindo mais, com menos trabalhadores, o que significa aumento da exploração (produtividade, na linguagem dos economistas burgueses).

Em escala mundial, os trabalhadores que permanecem empregados se defrontam com o aumento da exploração na forma de uma precarização das contratações, aumento da carga de trabalho, da cobrança das chefias, do assédio moral, do adoecimento físico e psicológico. Ao mesmo tempo, quando precisam de serviços públicos, encontram uma estrutura sucateada pelos cortes do Estado, que tem seu orçamento subordinado às dívidas com o capital.

Essa recuperação lenta e sofrível da economia não alcançou os mesmos níveis de crescimento do período anterior à crise. Ao mesmo tempo, enfrenta crescente oposição dos trabalhadores contra o aumento da exploração e as medidas de austeridade. Quando sobrevier a próxima crise global, a burguesia terá que adotar as mesmas medidas de 2008, como demissões, pacotes trilionários de ajuda às empresas, corte de gastos do Estado, etc. Mas ao contrário de 2008, os trabalhadores terão acumulado a experiência das lutas dos últimos anos e estarão em melhores condições para resistir no plano imediato e reconstruir uma alternativa socialista.



2.3. Situação nacional



O Brasil vivencia o esgotamento do ciclo de governos pós-neoliberais típicos da última década na América Latina. O continente sulamericano foi um dos centros da luta de classes mundial por ocasião da crise capitalista anterior, em 2000/2001. Como resultado dessa crise, houve na região várias lutas, de caráter popular, camponês, estudantil, e operário em menor grau, as quais acabaram (dentro do quadro de crise da alternativa socialista), desviadas para alternativas eleitorais “de esquerda”.

Dessas alternativas eleitorais surgiram vários governos de retórica anti-neoliberal, alguns mais “radicais” ou capazes de enfrentamentos verbais com o imperialismo (caso de Chávez na Venezuela, Evo Morales na Bolívia, Correa no Equador), outros “moderados” ou abertamente pró-imperialistas (Lula e Dilma no Brasil, os Kirchner na Argentina, Michelle Bachelet no Chile), outros intermediários (Lugo no Paraguai, Vázquez e Mujica no Uruguai, Ortega na Nicarágua). Todos mantiveram os pilares fundamentais do capitalismo, a propriedade privada, o trabalho assalariado, a exploração, a entrega de riquezas naturais ao imperialismo, o pagamento das dívidas públicas, etc., mesmo quando falavam em “socialismo do século XXI”.

Esses governos se sustentaram com base no momento de alta dos preços das matérias primas (que os economistas chamam de “commodities”) no mercado mundial, como petróleo, gás natural, minérios, grãos, carne, etc., que se mantiveram em valores elevados ao longo do último ciclo de crescimento (2002/2007). Os altos preços desses produtos proporcionaram altas arrecadações para os governos, que puderam adotar medidas assistenciais paliativas de alívio parcial da miséria de grande parte das suas populações. Essas medidas limitadíssimas, em contraste com décadas ou séculos de abandono, apareceram como se fossem “revolucionárias”, resultando em aumento da popularidade desses governantes e sucessivas reeleições dos seus partidos. Os movimentos sociais que sustentaram a maior parte das lutas anti-neoliberais do período anterior foram cooptados por esses governos, ou perderam sua base social para os programas assistenciais, ou capitularam abertamente, e quando permaneceram em luta, passaram a enfrentar uma repressão feroz.

Esse operativo durou por quase uma década e enfrenta agora um claro processo de esgotamento, devido às instabilidades no mercado mundial de commodities a partir da crise, além de outas questões. No caso do Brasil, o esquema manteve algum fôlego ainda após a crise, sendo alavancado por um aumento explosivo do crédito, pelo endividamento dos trabalhadores, sucessivos pacotes de ajuda do governo às empresas (empréstimos a juros subsidiados, privatizações, isenção fiscal, obras públicas de infraestrutura em favor das empresas, etc.), sucateamento dos serviços públicos e arrocho do funcionalismo, especulação imobiliária, aproximação dos megaeventos esportivos, etc. Isso foi suficiente para que Lula elegesse sua sucessora em 2010, em pleno cenário de crise mundial. Ao mesmo tempo, a patronal agiu preventivamente, antecipando-se à chegada da crise no país, aplicando reestruturações nas empresas, aumento do volume de serviço, intensificação do trabalho, arrocho salarial, endurecimento da repressão.

O 1º mandato de Dilma seguiu a linha do período anterior, mas com uma progressiva deterioração do cenário econômico: aumento do endividamento público, aumento do déficit comercial, aumento da inflação. Ao mesmo tempo, o cenário social foi também piorando, com uma profunda insatisfação se acumulando subterraneamente em amplas camadas da população. As medidas da patronal de aumento da exploração e os cortes de gastos do governo, piorando os serviços públicos, levaram a uma degradação paulatina das condições de vida. Foram piorando a qualidade da educação pública, do atendimento nos hospitais, do transporte público, do trânsito nas grandes cidades, ao mesmo tempo em que a inflação corroía os salários, e o dia a dia no trabalho se tornava cada vez mais pesado e opressivo.

Isso foi gerando uma insatisfação que se acumulou gradativamente. Tal insatisfação já vinha se manifestando com um aumento das lutas e greves desde fins do segundo mandato de Lula. Em 2012 já houve uma quase greve geral do funcionalismo público federal. O aumento das lutas levou ao aumento da repressão, que se tornou cada vez mais brutal (desocupação da reitoria da USP em novembro de 2011, do bairro Pinheirinho em janeiro de 2012). Até que, em junho de 2013, a brutalidade da repressão sobre as manifestações (que atingiu estupidamente até mesmo jornalistas cuja função é precisamente difamar as manifestações e colocar o público contra elas) contra o aumento das passagens colocou a opinião pública a favor dos manifestantes.

A partir daí, uma onda de manifestações tomou conta do país, com milhões de pessoas indo às ruas em centenas de cidades. Aquela insatisfação difusa e longamente represada veio à tona, com diversos temas sendo levantados: saúde, educação, gastos com a Copa, corrupção. O aumento das passagens foi revogado e houve algumas pequenas concessões, como a retirada do projeto da cura gay e da PEC 37 (projeto que dificultaria a investigação da corrupção). Mesmo assim, a popularidade dos governantes saiu fortemente abalada, desde a presidência até governos municipais, passando pelo Congresso. Dilma precisou de meses para recuperar alguns pontos nos índices de aprovação, mas sem chegar aos níveis anteriores. Alguns governadores, como Cabral no RJ, jamais se recuperaram. No curso do processo, setores de direita tentaram conduzir a insatisfação popular contra o PT, para auferir dividendos eleitorais em 2014, mas todos os partidos terminaram chamuscados.

Completou-se uma espécie de ciclo histórico determinado pela existência do projeto do PT como referência política predominante para a classe, com resultados desastrosos. Mesmo que seja reconhecida sua origem nas diversas lutas sociais do período final da ditadura, a conclusão que se consolida na consciência dos trabalhadores após esse ciclo histórico de três décadas é que os partidos de trabalhadores tipo PT e seus líderes, sindicalistas, dirigentes de movimentos, etc., apesar de terem uma origem combativa, servem tão somente para eleger alguns oportunistas que inevitavelmente se corrompem. A prisão dos mensaleiros seria a confirmação dessa lição. Assim, os partidos, mesmo os de esquerda, não merecem nenhuma confiança.

Os grupos da direita, organizados ou não em legendas eleitorais, por meio de seus agentes na mídia, trataram de aproveitar esse momento de arremate do ciclo histórico do PT para colocar para escanteio todos os partidos de esquerda, mesmo os que faziam oposição ao PT, para isolá-los das manifestações e impedir que a nova geração de manifestantes se identificasse com alternativas de esquerda ao PT. Comprovou-se o quanto foi nefasto o predomínio do PT como projeto político reconhecido pelos trabalhadores, pois isso terminou levando a classe a aderir às conclusões da burguesia. A confiança na prosperidade da era Lula (ou seja, na possibilidade de crescimento e distribuição de renda em pleno capitalismo em crise estrutural) fez com que o PT abandonasse a disputa pela consciência política e o trabalho ideológico junto a classe, o que fez com que agora colhesse esse resultado: diante do descontentamento contra o governo, os trabalhadores se voltam contra o próprio PT e não seguem nenhum critério de classe para avaliar os projetos políticos em disputa. Não reconhecem seus adversários de classe e nem ideias que podem se voltar contra a própria classe, porque não se reconhecem como classe.

O problema é que esse retrocesso de consciência demonstra também o isolamento social dos partidos de oposição de esquerda ao PT (tais como PSOL, PSTU, PCB, PCO, para ficar apenas nas organizações eleitoralmente legalizadas), que não souberam se mostrar como alternativa política e ideológica para os trabalhadores. Apesar dos esforços de parte da militância desses partidos, o resultado é que, quando muito, são vistos como versões "requentadas" ou em "miniatura" do próprio PT, imitações do mesmo projeto, destinados a tão somente repetir o seu processo histórico, ou seja, se eleger e se corromper. Se é para ficar com essas cópias, muitos trabalhadores ainda preferem o original, ou seja, o próprio PT, contra a “volta da direita”. A classe trabalhadora brasileira carece de uma referência classista, combativa, radical, anticapitalista, podendo ser presa fácil de qualquer discurso, oportunista, fascista, messiânico, etc., especialmente num ano eleitoral. O ressurgimento dos movimentos de massa no país, independentes e contrários ao PT, encontra a classe desprovida de um projeto alternativo ao PT que seja de esquerda.

A tarefa gigantesca de reconstruir as referências classistas básicas, a consciência de classe, a consciência do pertencimento a uma categoria, a uma classe oposta à patronal e ao governo, da necessidade de ação e organização coletivas, de sindicatos, associações, movimentos, etc. (para não falar em algo que vá além, um projeto socialista revolucionário oposto ao capitalismo), condizente com o momento histórico de crise estrutural, precisa ser retomada o quanto antes, a partir desse momento de encerramento do ciclo do PT como referência organizativa para as lutas dos trabalhadores.



2.4. Os governos do PT e sua relação com o capital financeiro e os bancos



Em meio a grave crise do sistema capitalista ocorrida desde a década de 1970 a forma encontrada de manter a reprodução do capital e possibilitar a manutenção e aumento dos lucros foi a financeirização. O sistema, sem saída, volta-se para o mercado financeiro como meio privilegiado de apropriação do valor. Isto exigia por sua vez uma “parceria” dos governos, especialmente dos países dependentes que almejavam sua inserção no grupo dos desenvolvidos. Banco Mundial e FMI impuseram, em várias nações, políticas de desregulamentação do sistema financeiro. E mesmo alguns países centrais acompanharam este movimento.

O resultado foi o crescimento de uma “bolha” especulativa que proporcionou um aumento gigantesco nos lucros dos bancos. Porém, junto com isso ocorre uma potencialização das fragilidades de todo sistema capitalista. As crises cíclicas tornam-se mais perigosas e frequentes. Intensifica-se a opressão e a exploração do trabalho em todo mundo.

As instituições bancárias se constituem neste século XXI como organizações extremamente poderosas. E a burguesia financeira ergue-se como setor hegemônico dentre as classes dominantes. Isto ocorre também no Brasil. Os donos dos bancos foram os vetores fundamentais para ascensão do PT ao governo federal. E não por acaso foi justamente na gestão do PT que o setor bancário alcança quase todos os anos recorde nos lucros. O Itaú Unibanco, por exemplo, no primeiro semestre de 2013 chegou a marca de R$ 7,1 bilhões de lucro líquido (maior do que toda economia de 33 países), o que representa o 2º maior lucro já registrado por um banco no Brasil em um semestre. Esta marca só foi superada pelo próprio Itaú Unibanco em 2011. Ambos no governo Dilma.

Já o Bradesco lucrou R$ 5,9 bilhões e o Santander 2,9 nos primeiros seis meses de 2013. O detalhe é que no caso do banco espanhol este valor representa 25% dos ganhos totais da empresa que atua em dezenas de países. No ano de 2012 estas três instituições chegaram a lucrar R$ 28 Bilhões!

Tudo isso é riqueza produzida pelos trabalhadores que vai diretamente para os cofres das organizações financeiras. O Estado é, por sua vez, o grande promotor desta transferência. Quase metade do orçamento da União está comprometido com despesas relacionadas a juros e serviços da divida pública. É para reorientar dinheiro para estas despesas que o governo diminui gastos com educação, saúde, previdência e demais necessidade de natureza social. O próprio Estado também é conivente com as taxas extorsivas cobradas pelos bancos pelos seus serviços.

Todo este poder econômico se reflete na hegemonia da burguesia financeira no interior das classes dominantes. Ela está por orientar a dinâmica de reprodução do capital e a política de dominação desta ordem social. Sendo assim, apenas em associação com o setor financeiro algum grupo político pode ascender o poder. Foi exatamente isso que o PT fez.

Consequentemente todo governo petista esteve e está voltado para a satisfação, em primeiro lugar, dos interesses do sistema financeiro. As outras parcelas das elites são beneficiadas de maneira refratária e como forma de garantir o “equilíbrio” do sistema, ou quando seus próprios interesses convergem com os interesses dos bancos.

O governo PT, assim, insiste em uma política de juros altos, de oferta desmedida de crédito, de desoneração de produtos que são financiados pelos bancos, falta de controle sobre as instituições financeiras, etc. A julgar por este fato e pelos números da lucratividade exibidos pelos bancos estas organizações vão continuar apoiando fortemente o Partido dos Trabalhadores e, neste sentido, podem contribuir decisivamente para uma nova vitória eleitoral do atual governo.

Importante ressaltarmos que independentemente de nomes e partidos para a corrida presidencial de 2014, a decisão ocorre sempre no âmbito da economia e não da política puramente pertidária. E sendo a burguesia financeira hegemônica hoje, sua vontade tende a predominar sobre a dos outros setores da sociedade. E, desta forma, sua força que se fundamenta no poder material pode, nas eleições de 2014, se estender, mais uma vez, para o poder político.

Neste contexto só outro poder muito mais forte e vital, mas que também se fundamenta na base econômica da sociedade pode parar e destruir esta hegemonia e a de toda classe dominante: a união dos trabalhadores na luta contra o capital.



2.5. Os governos do PT, movimentos sociais e o movimento sindical



Assim como os partidos em geral e os partidos de esquerda, também os sindicatos e movimentos sociais organizados, como MST, MTST, etc., saíram fortemente questionados das jornadas de junho de 2013, graças a sua vinculação com o PT, seja ela implícita (caso do MST) ou explícita (caso da CUT). Paradoxalmente, a ideia de que é legitimo ir às ruas e protestar também conseguiu se implantar. As manifestações seguem acontecendo praticamente todos os dias no país, por mais que a direita e a mídia bombardeiem incessantemente a versão de que acontecem "excessos", de que existem “baderneiros” infiltrados, de que sempre acontecem atos de vandalismo, etc. Apesar desse trabalho permanente de difamação, as manifestações seguem acontecendo e seguem sendo consideradas, legítimas, corretas, necessárias, pela maioria da população (ainda que se façam ressalvas contra a violência).

Ainda há um terreno fértil a ser explorado em matéria de diálogo com a classe para apresentar alternativas de organização pela esquerda. A vitória das manifestações de junho passado, que revogaram o aumento das passagens e mostraram que é possível lutar e vencer, ainda se impõe na realidade. O problema é que, sem reconhecer os movimentos sociais organizados, tanto partidos como sindicatos, como instrumentos organizativos, as manifestações correm o risco de serem cooptadas por forças de direita, a partir de concepções pseudo-anarquistas e antipartido. A tarefa de reconstruir as referências políticas e organizativas está em aberto e se impõe com uma urgência dramática.

Para reconstruir essas referências, um passo indispensável é a ruptura e a crítica implacável contra o aparelhamento dos sindicatos pelo PT e o governismo. O movimento sindical, setor mais forte e organizado do país, é também o mais fortemente controlado pelo PT. Os sindicatos ligados à CUT e centrais menores que lhe servem de satélites, não apenas apoiam o governo do PT, como também estão integrados à gestão do capitalismo no país. Os sindicatos, federações e centrais estão atrelados ao Estado por meio do imposto sindical, das verbas do FAT, dos fóruns tripartites com a patronal e o governo (tipo “câmaras setoriais”, mesa da construção civil, etc.), da lei de greve, da justiça trabalhista, da rotina de negociações “ordeiras” e “cidadãs” nas campanhas salariais, etc.

Esses sindicatos não apenas abandonaram a via da luta e da organização da classe em troca de benesses para seus dirigentes burocratizados, mas em alguns casos incorporaram-se organicamente à gestao do capital. É o caso precisamente da categoria bancária. Através de fundos de pensão, como a PREVI, maior do país, com patrimônio de centenas de bilhões de reais e participação acionária em centenas de empresas, os sindicalistas ligados ao PT são nomeados para os conselhos de administraçao das empresas. Convertem-se de representantes dos trabalhadores em membros da patronal. Administram centenas de empresas em conjunto com a burguesia nacional e internacional. Estão organicamente ligados ao capitalismo. É por isso que a tarefa de reconstruir a organização dos trabalhadores precisa ser retomada praticamente do zero.

Iniciativas como a Conlutas e a Intersindical, ainda que tenham resgatado uma maior combatividade, estão longe de dar conta do combate e superação do conjunto de vícios que inviabiliza o movimento sindical brasileiro como alternativa de organização dos trabalhadores à altura dos desafios do momento histórico. Por conta da política de suas direções majoritárias (PSTU e setores do PSOL), estão se tornando mais próximas e semelhantes às centrais governistas, tendência que precisa ser revertida urgentemente, se se quer realmente postular esses projetos como alternativas para a classe. Independentemente das direções majoritárias das centrais antigovernistas retificarem seu curso ou não, nossa tarefa é repensar os rumos políticos das organizações dos trabalhadores.

Listamos a seguir alguns pontos de principio que julgamos fundamentais para reconstruir as organizações operárias:

* um programa anticapitalista, por entendermos que, no seu período histórico de crise estrutural e societal, cada vez mais evidente por fenômenos como a atual crise econômica, com seu corolário de ataques sobre os trabalhadores, guerras, destruição ambiental, desemprego, etc., o capitalismo não permitirá outra alternativa aos trabalhadores senão organizar-se para destruí-lo. Nesse período histórico as conquistas da classe trabalhadora no passado, em termos de empregos, salários, direitos trabalhistas e sociais, etc., estão sob ataque no mundo inteiro e no Brasil não é diferente. O capitalismo não é mais capaz de fazer concessões nem de admitir reformas. Por isso, as organizações dos trabalhadores não podem ter outro horizonte histórico que não a luta pela superação do capitalismo. As lutas específicas de cada categoria ou setor dos trabalhadores devem apontar para a construção formas de organização e de consciência em direção a uma ruptura com o capitalismo.

* um programa antigovernista, por entender que é fundamental organizar os trabalhadores em torno de um projeto independente e oposto ao das correntes governistas, pelegas, burocráticas e pró-patronais como CUT, CTB, Força, etc. Não podemos construir nenhum tipo de unidade orgânica em fóruns superestruturais ou chapas sindicais com setores da burocracia cutista e governista em geral. Devemos apresentar aos trabalhadores um conjunto de princípios, de bandeiras de luta e de métodos de organização distintos em relação ao das correntes governistas e opostos ao projeto do governo Dilma-PT e da burguesia.

* independência política, financeira e organizativa em relação ao Estado. Não ao recebimento do imposto sindical ou de qualquer verba ou convênio com o Estado (que permitem a sustentação de sindicatos de cartório, artificiais, sem qualquer trabalho real junto a seus representados). As organizações dos trabalhadores devem se sustentar apenas por meio de contribuições regulares, voluntárias e conscientes dos trabalhadores, como resultado do reconhecimento de uma trabalho real junto à categoria. As organizações dos trabalhadores não podem depender de permissão ou reconhecimento do Estado para existir e atuar, como acontece hoje com a estrutura sindical brasileira, presa a uma herança varguista. Precisamos resgatar o princípio da independência de classe, no sentido de que “a emancipação dos trabalhadores deve ser obra dos próprios trabalhadores”.

* combatividade e ação direta em primeiro lugar, e negociação como instrumento secundário. É preciso desenvolver entre os trabalhadores a consciência de que qualquer conquista só é possível por meio da mobilização e da luta, combatendo a ilusão no Estado burguês e suas instituições. É preciso combater o discurso da patronal e seus ideólogos na mídia, academia, ONGs, igrejas, etc., que falam em participação, diálogo, cidadania, paz social, conciliação, etc., demonstrando que a solução para os problemas dos trabalhadores só é possível por meio da ação coletiva.

* por um sindicalismo de base, que priorize a organização a partir dos locais de trabalho, a partir das CIPAs, dos delegados sindicais, diretores de base, etc., que organize os trabalhadores para a resistência cotidiana e permanente, em torno das questões gerais e também das questões imediatas do dia a dia, não apenas nos períodos de campanhas salariais. O trabalho de base permanente é o oposto do sindicalismo "de porta de fábrica", e do economicismo, que se limita à rotina das datas base de negociação. É preciso ter uma diálogo permanete e cotidiano com a categoria sobre as suas questões e as questões da classe trabalhadora em geral.

* por uma organização que vá além do corporativismo, que organize os trabalhadores como classe em seu conjunto, independente de estarem empregados ou desempregados, no setor público ou privado, efetivos ou terceirizados, realizando campanhas as mais amplas e unitárias possíveis.
* por um funcionamento democrático e que rompa com os vícios burocráticos que afetam a organização dos trabalhadores no Brasil e em especial o movimento sindical. A luta antiburocrática deve incluir a tomada das decisões mais importantes em assembleias e nos fóruns de base, o rodízio de cargos na composição das diretorias, a limitação no número de mandatos dos dirtores, o rodízio e a prestação de contas dos liberados, a transparência na prestação de contas das finanças e das ações dos representantes.

* trabalho ideologico permanente contra o capitalismo e a luta pela formação política, teórica e cultural dos trabalhadores. A burguesia tem seus ideólogos profissionais, seus jornalistas, acadêmicos, políticos, pastores, roteiristas, publicitários, etc., que permanentemente divulgam entre os trabalhadores as ideias da classe dominante, o individualismo, a meritocracia, o apoliticismo, o consumismo, o conformismo, a vulgaridade, o niilismo, etc. Cabe às organizações dos trabalhadores desenvolver uma cultura oposta, socialista, que ajude a melhorar o nível teórico, político e cultural da classe, por meio de cursos, seminários, publicações, atividades culturais, etc.

* sensibilidade para a composição concreta da classe trabalhadora brasileira, incorporando as demandas de mulheres, negros e LGBTs, mas não apenas por meio de secretarias específicas (que devem existir e ser reforçados) e em eventos nas datas comemorativas, mas na atividade cotidiana das entidades, disputando a consciência dos trabalhadores contra o machismo, o racismo e a homofobia., levando em consideraçao as questoes de raça, gênero e orientação sexual.

Por suas características, as oposições sindicais, como o Avante, Bancários! são o tipo de organização melhor talhadas para colocar em prática esses princípios. As oposições já nascem independentes do Estado, vinculadas à base, opostas aos partidos e correntes governistas, etc. As tarefas que deveriam ser dos sindicatos, de organizar a classe para o enfrentamento contra a patronal e o Estado, recaem hoje sobre as oposições, por força do fato de que a maioria das organizações sindicais está aparelhada pelas correntes governistas e convertida em aparatos burocráticos alheios e até opostos às necessidades da classe.

As oposições sindicais devem ser pensadas como organização de frente única da classe, cabendo em seu interior todas as tendências de pensamento, desde militantes de organizações revolucionárias até trabalhadores que estão apenas preocupados com o seu salário. É preciso construir uma ambiente democrático para que o convívio entre essas tendências e setores da classe seja pedagógico e se consiga avançar em conjunto. De um ponto de vista estratégico, a luta por uma revolução socialista contra o capitalismo é uma tarefa não apenas de partidos e organizações revolucionárias, mas de uma ampla vanguarda da classe trabalhadora organizada em organismos de frente única.

Um dos erros cruciais das organizações revolucionárias é priorizar apenas a própria autoconstrução, em detrimento da construção dos organismos do movimento. Sem esses organismos e espaços de frente única não se constrói nem o movimento do conjunto da classe nem as próprias organizações revolucionárias! É essencial reconstruir uma metodologia democrática, superar os vícios sectários e priorizar a responsabilidade de todos os ativistas, organizados ou independentes, para com o conjunto do movimento.

Para serem capazes de desempenhar o papel de renovar as organizações da classe, as oposições devem ser pensadas mais amplamente, não como meras chapas para concorrer a eleições, mas como um movimento real de organização, capaz de reunir e expressar a força dos trabalhadores, independentemente de estar ou não na direção da entidade sindical. O pré-requisito para se chegar a uma diretoria é justamente esse tipo de trabalho de organização de base, pois sem isso é impossível vencer uma eleição (a menos que seja em aliança com algum setor da burocracia, o que descartamos). Da mesma forma, sem um forte trabalho prévio de organização de base e sem uma base mobilizada, nenhuma diretoria é capaz de se sustentar no comando dos sindicatos. As organizações que tomaram o caminho inverso, priorizando a disputa da superestrutura do movimento, para depois supostamente irem à base, acabaram se confundindo com as mesmas superestruturas viciadas e suas direções burocráticas, governistas e pelegas.

Os trabalhadores ainda reconhecem os sindicatos como a sua organização “oficial”, por mais que a saibam distante do seu dia a dia e insensível às suas necessidades reais. Assim, as oposições não podem se apresentar como um substituto institucional ao sindicato, como uma entidade paralela, mas como um substituto político, um projeto no qual os trabalhadores podem apostar para se organizar e encaminhar a luta por suas demandas, independentemente de essa oposição chegar à diretoria ou não. É dentro desse contexto que as eleições sindicais devem ser disputadas, não como um fim em si mesmas, mas como um meio para se apresentar aos trabalhadores um outro projeto de organização.



2.6. Categoria bancária



A aplicação desse projeto de retomada da organização dos trabalhadores deve considerar a realidade concreta e as especificidades da categoria em que atuamos.

Uma das lendas que cercam a categoria bancária é a de que o número de postos de trabalho nos bancos diminuiu devido ao avanço da automação bancária e dos serviços via internet, que já são responsáveis pela maior parte das transações. É verdade que o número de transações em meios alternativos aumentou muito desde a introdução da automação bancária, mas o número total de transações também aumentou. A bancarização da população, o número de pessoas que utilizam serviços bancários também aumentou muito. Ao mesmo tempo, os bancos tem cortado sistematicamente postos de trabalho, reduzindo o número absoluto e a quantidade relativa de bancários.

Proporcionalmente, mesmo com os meios alternativos de atendimento, o número de clientes atendido por cada bancário aumentou. Ou seja, aumentou a carga de serviço, a exploração dos bancários. Uma das válvulas de escape dos bancos para dar conta do volume de serviço sem contratar mais bancários é o estabelecimento de correspondentes bancários, como lotéricas, correios, supermercados, farmácias, e agora, com o boom da especulação imobiliária, também correspondentes imobiliários.

Esses trabalhadores executam serviços bancários sem terem os salários e direitos da categoria bancária. Trata-se de mais uma sobrecarga de serviço que é imposta sobre comerciários, lotéricos, etc., para benefício exclusivo dos bancos, em detrimento da categoria bancária, dos trabalhadores desses estabelecimentos e do conjunto da população, atendida em condições precárias.

No interior dos bancos, a precarização grassa na forma da terceirização. Os bancos foram os pioneiros e aplicadores em maior escala dessa forma de contratação que reduz salários e direitos de um vasto contingente de trabalhadores, como seguranças, copeiras, faxineiras, telefonistas, temporários, etc. A terceirização, como parte da reestruturação produtiva e das técnicas de gestão de mão de obra das últimas décadas, representa uma ataque sobre a classe trabalhadora, dificultando a sua unificação por separar um setor de "elite" de trabalhadores efetivos privilegiados e uma vasta camada de trabalhadores precários, tratados como inferiores.

A fragmentação da classe dificulta a organização e as lutas dos trabalhadores e facilita os ataques da patronal. Frequentemente, empresas terceirizadas quebram, dispensam os trabalhadores sem pagar os direitos e os recontratam com uma outra fachada, de propriedade dos mesmos donos. Trabalhadores deixam de receber férias, 13º, FGTS, ou tem desconto para o INSS que não é repassado, etc. Tudo isso acontece com a conivência dos bancos, que contratam essas empresas, mas cinicamente fazem propaganda da sua “responsabilidade social”.

Finalmente, uma outra divisão dentro da categoria bancária separa funcionários de bancos públicos e privados. A diferença entre esses dois segmentos está em que a organização foi completamente abandonada nos bancos privados, de forma que não participam ativamente das lutas da categoria, sob a ameaça de demissão. O resultado é que, justamente por ausência de qualquer resistência, as demissões seguem acontecendo em massa. Para os trabalhadores de bancos privados, o sindicato é uma espécie de agência terceirizada que negocia o seu salário em seu nome, ou um clube de convênios. Não tem relação com os problemas do seu dia a dia.

Nos bancos públicos não há demissão em massa, ou mesmo cortes de pessoal localizados, mas há perseguição aos ativistas e militantes. Essa divisão entre bancos públicos e privados tem um aspecto geográfico que interfere diretamente na organização política da categoria. Os bancos privados concentram seus negócios e portanto seus funcionários, nas regiões mais ricas do sul e sudeste do país e nas capitais. Os bancos públicos, por sua vez, estão presentes em todas as regiões, inclusive cidades menores e afastadas do norte, nordeste e centroeste. Isso faz com que tenhamos um quadro em que cerca de 80% dos bancários de Sao Paulo, principal centro financeiro do país, pertencem aos bancos privados. No restante do país, há várias regiões em que a maioria pertence aos bancos públicos, mesmo que não seja numa proporção tão discrepante.

A consequência organizativa dessa distribuição é que as greves são mais fortes nas regiões periféricas do país, em que predominam os bancos públicos, mas são mais fracas nas regiões centrais, em que há maioria de bancos privados. Ora, a direção política do movimento pertence justamente aos sindicatos localizados nos principais centros do país, como São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. Esses sindicatos principais são dirigidos pela Articulação / CUT / PT, que graças ao peso dessas bases dirige o movimento nacional da categoria.

A Articulação é a responsável pela quase inexistência de organização, resistência e luta nos bancos privados, que serve para manter os trabalhadores desse setor numa situação de dependência, numa relação assistencial e terceirizada. Com base nessa relação, a Articulação obtém um eleitorado passivo e cativo, que não tem nenhuma referência de organização e luta, portanto não é capaz de avaliar a sua gestão de um ponto de vista político. No máximo, os trabalhadores de bancos privados avaliam os resultados das campanhas salariais ou a qualidade dos serviços assistenciais e convênios do sindicato, mas não a sua postura enquanto instrumento de luta.

Dessa forma, a Articulação se mantém no controle do sindicato de São Paulo e dos principais centros, e se mantém no controle do movimento nacional da categoria. Esse controle é usado para evitar que os trabalhadores se enfrentem com o governo federal do PT, que é patrão de metade da categoria (BB, CEF, bancos regionais e estaduais remanescentes) e se enfrentem com os bancos privados, que são aliados do PT e auferem altíssimos lucros na sua gestão. Para isso, a Articulação impõe pautas rebaixadas, que não contemplam as reais reivindicações, através do mecanismo da Mesa Única da FENABAN. Sob o pretexto da “unidade da categoria”, a Articulação impede que o setor mais mobilizado, os bancos públicos, se enfrente com o governo do PT, impondo um patamar rebaixado de reajuste que mal repõe a inflação (mas que é vendido com o nome de “aumento real”, desconsiderando as perdas acumuladas).

De outro lado, entre os trabalhadores dos bancos públicos, que tem maior possibilidade de participar das lutas e greves, são impedidos de expressar suas reais demandas pelos mecanismos burocráticos e antidemocráticos da Articulação. As greves são tratadas como uma data no calendário, não como um processo que precisa ser construído ao longo do ano, com discussões e mobilizações em cada local, fóruns de base, reuniões de representantes e delegados sindicais, plenárias, assembleias, etc. Sem esses espaços preparatórios de organização, sem assembleias para discutir a pauta (definida numa pesquisa via internet), o que temos são pautas rebaixadas ditadas autoritariamente pela cúpula da burocracia. No curso das greves, temos o rolo compressor burocrático, que não permite que se façam falas nas assembleias, não coloca em votação as propostas, ou não permite que se façam defesas das propostas, ou simplesmente, quando perde uma votação, desconhece os resultados e encerra as assembleias.

Tudo isso faz com que os trabalhadores dos bancos públicos se afastem do movimento. Sem participação, as greves ao invés de serem uma demonstração de força dos trabalhadores, demonstram justamente a fraqueza e a falta de mobilização. São greves de fachada, que não causam prejuízo real aos bancos. As sucessivas traições, manobras, acordos rebaixados, geram um círculo vicioso de desmobilização e descrédito nos instrumentos coletivos de luta. As greves são cada vez mais fracas porque os bancários não participam, e os bancários não participam porque as greves são cada vez mais fracas. Institucionalizou-se a “greve de pijama”, ou seja, a greve como uma data no calendário em que o trabalhador deixa de ir trabalhar, mas não se encontra com os demais trabalhadores, não vai às assembleias e piquetes.

Esse roteiro foi incrementado nos últimos anos pela “greve de saco cheio”. Como resultado da intensificação do trabalho que se impõe sobre os trabalhadores em escala mundial, na esteira da crise capitalista de 2008, nos bancos também se vivencia um cenário de sobrecarga de serviço, assédio moral, adoecimento físico e psicológico. A greve é vista como um alívio temporário do sofrimento que é o trabalho, uma espécie de férias coletivas. A revolta e a insatisfação que se acumulam ao longo do ano com as condições de trabalho se expressam em ausência do trabalho durante a greve, mas essa ausência do trabalho não se expressa como força coletiva de uma categoria organizada, justamente porque os espaços coletivos de organização são sistematicamente sabotados pela direção do movimento.

Um último agravante que se acrescenta nos últimos anos é a rotatividade que se impõe mesmo nos bancos públicos, em especial no BB. Ao invés de ser uma carreira para a vida inteira como era anos atrás, o emprego no BB é uma passagem temporária até que se consiga entrar na carreira para a qual se estudou. Como resultado disso, a maior parte do funcionalismo é composta por pessoas que ficam poucos anos no banco. Diante dos baixos salários e péssimas condições de trabalho, a sua saída não é a organização coletiva, mas sair do banco e mudar de carreira. Os que permanecem mais tempo são os que conseguem passar pelo estreito funil do comissionamento, e então se submetem ao massacre da cobrança de metas e do assédio moral permanente, vivendo a base de remédios tarja preta. Tanto uns como outros acreditam em saídas individuais.

Esse é o resultado da gestão do PT no governo federal e no controle dos bancos públicos, com a indispensável colaboração da Articulação no movimento sindical. Na falta de qualquer trabalho ideológico que contraste com o discurso da patronal, os bancários assimilam a ideologia meritocrática, de que o sucesso depende do esforço de cada um. O PT e seu braço sindical, a Articulação, nunca se contrapôs a esse discurso, primeiro por acomodação, acreditando que a “prosperidade” com pés de barro da era Lula duraria para sempre, e segundo, por não ter efetivamente um projeto alternativo, anticapitalista, que se contraponha ao individualismo capitalista. Para cúmulo, as campanhas salariais foram transformadas em campanha por PLR, legitimando a ideia de que o trabalhador é quem faz o próprio salário, conforme o seu esforço para cumprir as metas.

As saídas para romper com esse círculo vicioso (o movimento perde força porque os bancários participam cada vez menos e os bancários participam cada vez menos porque percebem que o movimento perde força) passam a nosso ver por três eixos:

* retomar a organização nacional da categoria. É preciso construir uma ligação entre os setores mais mobilizados, que estão nos estados periféricos, com os setores que atuam nos principais centros do país, em que se decidem as campanhas salariais. É preciso construir uma campanha alternativa, que permita que a base se expresse, e que construa uma pauta alternativa, que contemple as reais reivindicações da categoria. É preciso rejeitar a estratégia da Mesa Única usada pela Articulação para impedir a mobilização nos bancos públicos, e rejeitar os fóruns burocráticos em que se constrói a pauta rebaixada apresentada todos os anos. É preciso rejeitar os Congressos e Conferências da CONTRAF-CUT e construir fóruns alternativos de organização. A Frente Nacional de Oposição Bancária – FNOB, se coloca como parte desse esforço;

* desenvolver o trabalho de base. A Articulação destruiu uma das conquistas dos funconários de bancos públicos, que é o reconhecimento dos delegados sindicais ou representantes por local de trabalho. Em muitas dependências nem sequer são eleitos representantes. Os que são eleitos, não se reúnem, pois a direção do sindicato não convoca reuniões. Quando convoca, as reuniões não são deliberativas, pois qualquer proposta tem que ser levada para a diretoria do sindicato, ou seja, não será aplicada. Precisamos retormar a organização a partir de cada local de trabalho, e isso só é possível criando um espaço de organização em que seja possível trazer os trabalhadores para colocar as questões imediatas do seu dia a dia. A partir do momento em que os trabalhadores se colocam frente a frente e se reconhecem como categoria, num espaço democrático, podemos ter a base impulsionar as mobilizações, as lutas imediatas e as campanhas salariais;

* lutar por democracia na organização do movimento. As práticas burocráticas da Articulação na condução das greves devem ser combatidas e denunciadas insistentemente. É preciso martelar a ideia de que a soberania do movimento deve pertencer à base. É preciso reconstruir a democracia operária a partir dos seus elementos mais básicos: direito a falar, a fazer propostas, defender propostas, garantir que as votações sejam cumpridas, eleger representantes revogáveis, etc.



2.7. Proposta de Manifesto



Com base nessa fundamentação, apresentamos os seguintes pontos para a composição de um Manifesto ou Carta de Princípios do Avante, Bancários! Esses seriam os pontos programáticos que serviriam de base para a atuação do coletivo. Devemos aproximar os bancários dispostos a lutar pelas questões imediatas para que discutam conosco esse programa, para que avancem politicamente e contribuam de maneira organizada e mais efetiva, nos ajudando a construir um embrião de organização para a categoria e para a classe, condizente com as tarefas do momento histórico.

* O Avante, Bancários! é um espaço de organização dos trabalhadores bancários para lutar por seus interesses como categoria e também seus interesses gerais como parte da classe trabalhadora.

* O Avante, Bancários!, como uma organização de trabalhadores, é por definição um grupo de luta e de oposição aos banqueiros. Somos uma organização de luta, ou seja, defendemos que a mobilização dos trabalhadores deve ser sempre a sua principal arma, e as vias institucionais de negociação, jurídicas, ouvidorias, etc., devem ser apenas um recurso secundário, respaldado na ação coletiva.

* O governo federal é patrão de praticamente metade da categoria bancária, portanto o Avante, Bancários! é também por definição independente e oposto ao governo, hoje ocupado pelo PT, ou por qualquer partido que o suceda. Defendemos outro projeto para os bancos públicos, cuja propriedade é hoje apenas nominalmente estatal, mas atuam na prática de maneira idêntica aos bancos privados, explorando funcionários e clientes. Para termos melhores salários, direitos e condições de trabalho em todos os bancos, temos que nos associar aos interesses do conjunto dos trabalhadores e defender a estatização de todo sistema financeiro, sob controle da classe trabalhadora.

* O Avante, Bancários! também faz oposição aos grupos que defendem o governo no movimento sindical, como Articulação/PT, CTB/PCdoB, DS/PT, CUTPodeMais/PT, etc. Essas correntes controlam as organizações dos trabalhadores, como sindicatos, federações e centrais, e as transformaram em entidades burocráticas, que não mais representam os interesses da categoria, estão distanciadas do dia a dia dos bancários, funcionam mais como obstáculos do que instrumentos para a luta. Devemos denunciar sistematicamente a traição dos governistas em cada luta e trabalhar para retirar as entidades de base do controle da burocracia.

* O Avante, Bancários! participa das assembleias de base dos sindicatos, defendendo a democracia dos trabalhadores, o direito de falar e defender propostas para todos os bancários, o respeito às decisões tomadas, a soberania da categoria, os princípios elementares da democracia dos trabalhadores. Não participamos dos Congressos e fóruns organizados pela Articulação/CUT/PT e seus satélites, formados de maneira viciada, dominados por burocratas afastados dos locais de trabalho há muitos anos e defensores de interesses opostos aos bancários. Devemos denunciar esses fóruns e lutar para construir espaços alternativos de organização.

* O Avante, Bancários! é aberto a todos os grupos e indivíduos que concordam com as posições dessa carta. Não existem cargos nem hierarquia, todos tem direito de apresentar propostas, bem como a responsabilidade pelas tarefas assumidas coletivamente. As decisões são tomadas nos fóruns coletivos e não por qualquer grupo em separado.

* O Avante, Bancários! não está vinculado a nenhuma corrente nacional do movimento sindical da categoria, mas está aberto à participação de grupos e indivíduos que defendam correntes classistas, antigovernistas e antiburocráticas.

* O Avante, Bancários! é aberto a todos os trabalhadores bancários, de bancos públicos e privados, efetivos e terceirizados. Somos contra as divisões da categoria, defendemos estabilidade no emprego e direitos iguais para todos, bem como a efetivação dos terceirizados, sem concurso.

* O Avante, Bancários! Coloca como suas bandeiras principais as reivindicações históricas da categoria como:

- Estabilidade no emprego para todos os trabalhadores, em especial nos bancos privados;

- Isonomia entre trabalhadores novos, antigos e incorporados, preservando-se o que for mais vantajoso para os trabalhadores;

- Plano de reposição das perdas acumuladas desde a implantação do real;

- Mais contratações nas agências, com cotas proporcionais para negros e minorias;

- Contra o sucateamento das nossas caixas de assistência;

- Contra o aparelhamento dos fundos de pensão;

- Efetivação dos terceirizados sem concurso, quem trabalha em banco bancário é!

- Outras reivindicações específicas de cada banco



3. TAREFAS IMEDIATAS



3.1. Antecipar a preparação da campanha salarial



O ano de 2014 terá algumas características especiais pelo fato de conter eventos como a Copa do Mundo e as eleições gerais. A Copa do Mundo de certa forma faz parte do cenário eleitoral, já que o sucesso ou não do evento terá peso importante na tentativa de reeleição de Dilma e de continuidade do projeto do PT. Além disso, a realização da Copa do Mundo pode ser marcada por um novo processo de manifestações, que seja uma continuidade ou reedição das jornadas de junho de 2013 (é bom lembrar que estas por sua vez aconteceram no curso da Copa das Confederações), de modo que o projeto do PT, sua gestão dos serviços públicos e da própria Copa vão estar em debate praticamente o ano inteiro. O primeiro grande ato contra a Copa já aconteceu no dia 25 de janeiro. Dessa forma, a discussão de temas de interesse geral da categoria, envolvendo o projeto para os bancos públicos e a função do sistema financeiro, deve ser uma discussão constante nos materiais do Avante, Bancários! ao longo de todo o ano.

Além da Copa e das eleições gerais, 2014 será marcado por eleições importantes para a categoria, tanto nacionais (PREVI, FUNCEF, CASSI, Saúde Caixa) quanto locais (APCEF e sindicato), que acontecem no primeiro semestre e sobre as quais falamos no ponto seguinte. Com tudo isso, a preparação da campanha salarial corre o risco de ficar em segundo plano. A burocracia evidentemente vai privilegiar as eleições, tanto as eleições gerais (em que a reeleição de Dilma évital para a sobrevivência do PT) quanto das entidades dos trabalhadores, negligenciando a organização da campanha. Nesse caso, caberá à oposição cumprir essa tarefa de organização, e o Avante, Bancários! pode dar uma importante contribuição para isso.

Uma vez que a própria oposição, incluindo provavelmente o Avante, Bancários!, também vai estar de alguma forma envolvida nas eleições (participando/apoiando chapas ou não) ou até em outros processos de luta, é preciso fazer com que a preparação da campanha salarial seja também um tema constante em todos os materiais. A única forma de fazer isso é estabelecendo o vínculo entre as lutas específicas, as lutas em cada banco, com as lutas gerais da categoria e da classe, através da discussão do projeto em aplicação nos bancos e da relação do sistema financeiro com a sociedade.

A burocracia sindical tende a transformar a campanha salarial em uma campanha apenas por aumento de salário, ou pior, por PLR, enquanto que ao longo do ano o que está desgastando os bancários são as condições de trabalho, o excesso de serviço, as metas, o assédio moral, etc. E isso nunca é discutido nas campanhas salariais (justamente porque exigiria discutir o projeto dos bancos, que é um projeto do PT), já que dizem respeito a questões específicas de cada banco, que nunca são

discutidas na campanha (são jogadas para as mesas de enrolação permanente). Assim sendo, o Avante, Bancários! deve se esforçar para estabelecer a ligação entre as questões do dia a dia dos bancários (condições de trabalho, o excesso de serviço, as metas, o assédio moral, etc.) e a campanha salarial.

O Avante, Bancários! deve formular uma campanha alternativa, que contenha as verdadeiras reivindicações da categoria. As questões centrais são justamente aquelas que tem sido negligenciadas pela burocracia governista: reposição de perdas, isonomia, plano de cargos e salários, fim das metas e do assédio moral, mais contratações, etc. Essas questões devem estar presentes também ao longo de 2014, além dos problemas específicos por banco. Nosso papel deve ser o de desenvolver o debate sobre essas questões ao longo de todo o ano, associando-as à questão mais geral do projeto para os bancos e do projeto político do PT, contra o qual se desenvolverão várias lutas e debates no conjunto da sociedade.

A denúncia do projeto do PT não pode limitar-se ao antipetismo, pois isso pode conduzir a um fortalecimento das alternativas da direita burguesa. A categoria bancária contém elementos de elitização social e adesão à ideologia meritocrática e individualista (em boa parte por responsabilidade da própria gestão petista nos bancos e nos sindicatos). Cabe à nós retomar o debate sobre a necessidade da organização coletiva enquanto categoria e do pertencimento à classe trabalhadora.


3.2. Eleições



Este ano, além das eleições gerais no país, a categoria bancária será chamada a votar em várias eleições específicas, tanto de entidades nacionais quanto locais. Tivemos já as eleições para a Saúde Caixa, ainda teremos FUNCEF, PREVI e CASSI, no quadro nacional. No cenário local, teremos as eleições para a APCEF e para o Sindicato de São Paulo, Osasco e Região. Conforme assinalamos acima, a participação em processos eleitorais específicos da categoria deve estar subordinada a um projeto mais global e de longo prazo de reconstrução da organização da categoria. A campanha de uma chapa com participação do Avante, Bancários! só faz sentido se for utilizada para fazer contatos, estabelecer relações com possíveis simpatizantes e ativistas, avançar na organização, estruturar espaços duradouros de discussão, de mobilização e de luta, construir uma alternativa permanente para a categoria.

Dessa orientação geral decorre uma metodologia de debate, um critério político para a composição de chapas e uma perspectiva para o relacionamento entre as correntes.

A metodologia para o processo de composição de chapas deve ter o debate político como elemento fundamental, e as discussões entre as correntes como parte secundária. O processo de formação de chapas deve refletir um acúmulo real de discussão e de organização para que, passada a eleição, qualquer que seja o resultado, haja um ganho permanente para o movimento. Para que haja esse debate, defendemos o método de convenções abertas para votar o programa e a composição das chapas.

O critério político para composição de chapas, de acordo com o projeto geral que defendemos para o Avante, Bancários!, deve excluir qualquer possibilidade de alianças com setores governistas. Isso exclui não apenas a Articulação, mas também DS, CUT Pode Mais, CTB/PCdoB, etc. Não aceitamos o método de fazer chapa com DS, CUT Pode Mais, CTB/PCdoB, etc., mesmo que seja contra a Articulação, ou com a Articulação contra qualquer um desses setores também governistas, onde sejam maioria. Por mais que a aliança com alguma dessas correntes aumente as chances de vitória da chapa, a delimitação com o governo é um critério que se sobrepõe a qualquer consideração imediata. A denúncia do governo e do governismo é a base para uma atuação classista e politicamente independente.

Consideramos que o principal desafio da esquerda atual, no contexto da crise estrutural do capital - que só se mantém hoje às custas do desvio do dinheiro público e precarização da vida dos trabalhadores e da sociedade, respaldada pelos governos inclusive petistas –, consiste em superar qualquer ilusão no governismo e construir uma alternativa independente de governos e patrões, num sentido efetivamente socialista.

A perspectiva em relação às demais correntes é que, havendo ou não a composição de chapas para as eleições, o projeto do Avante, Bancários! enquanto corrente independente deve continuar no sentido de construir uma oposição combativa, radical, classista, antigovernista, antiburocrática, democrática e de base. A unidade pontual nas eleições não significa unidade orgânica enquanto oposição ou concordância com o projeto, os métodos, a prática, a política, etc., de outras correntes. Para que haja unidade nesse sentido, seria preciso um longo processo de ação conjunta, que por enquanto não se coloca como possível no horizonte.

Evidente que a não-unidade da esquerda não nos agrada. Mas a construção de uma alternativa de fato se dá prioritariamente na base, nos locais de trabalho, nas lutas, no movimento, nos quais estaremos sempre juntos. Portanto, defendemos a unidade da esquerda antigovernista e anticapitalista para além das eleições e congressos.

A discussão da tática específica para cada eleição excede o espaço deste debate ou mesmo está prejudicada pela ausência de elementos concretos como os editais, datas, prazos, possíveis composições e debates, etc. O que podemos estabelecer é um conjunto de pontos programáticos que a nosso ver devem ser colocados como critério fundamental para a composição de qualquer chapa. Os pontos programáticos que apresentamos tem relação com a visão que temos da situação da categoria e das tarefas colocadas para sua reorganização enquanto parte da classe e sujeito do momento histórico que atravessamos. Esses pontos se estruturam em seis eixos:

* denúncia do governo Dilma/PT, de sua relação com o sistema financeiro e de seu projeto para os bancos. O governo do PT destina praticamente metade do orçamento público para o pagamento da dívida, uma dívida fraudulenta e que já foi paga várias vezes. Esse mecanismo espúrio desvia recursos que deveriam ser destinados às necessidades dos trabalhadores (educação, saúde, moradia, transporte, etc.) para alimentar o parasitismo do capital financeiro. Os bancos e especuladores nacionais e internacionais são os grandes beneficiários dessa imensa sangria de recursos.

Dentro do sistema financeiro nacional, os bancos públicos não se diferenciam dos privados na relação predatória que desenvolvem com a população: tarifas e juros abusivos, venda casada, péssima qualidade do atendimento. Bancos públicos e privados são sócios de um cartel que se volta contra os trabalhadores. A propriedade dos bancos públicos nominalmente é estatal, mas a sua gestão é idêntica à dos bancos privados: arrocho salarial, destruição dos planos de carreira, remuneração variável por meio da armadilha do comissionamento e da PLR, sobrecarga de serviço, metas, assédio moral, perseguição aos ativistas, adoecimento, sucateamento das caixas de assistência, aparelhamento dos fundos de pensão.

Para termos melhores salários e condições de trabalho, precisamos discutir o projeto global dos bancos e associar essa luta às lutas do conjunto da população por melhores serviços púlicos. Não basta pedir a estatização do sistema financeiro, pois nominalmente BB e CEF são estatais. É preciso pedir a estatização sob controle dos trabalhadores!

* denúncia da Articulação / CUT / PT e seus satélites como braço da patronal na direção do movimentos. É uma aberração que o movimento da categoria bancária em São Paulo e nacionalmente seja comandado por uma corrente que pertence ao PT, que está no governo. Os dirigentes ligados à Articulação não são apenas um setor que está politicamente equivocado e que pode ser convencido dos seus erros ou levado a tomar outras posições. São um grupo que ativa e deliberadamente defende de maneira sistemática interesses opostos aos dos trabalhadores. Usam o seu controle sobre o movimento para impedir que haja lutas. Fazem todo o possível para esvaziar os fóruns de base, para suprimir a democracia no movimento, para desacreditar os organismos e formas de luta. Abandonam os enfrentamentos locais e imediatos, deixando os ativistas à própria sorte e sujeitos à perseguição. Transformaram o sindicato num conglomerado empresarial, com gráfica, cooperativa habitacional, financeira, faculdade, etc.

Além disso, por meio dos fundos de pensão, participam organicamente da gestão dos negócios da burguesia, partilhando dos interesses de classe da patronal. Por tudo isso, é preciso chamar os trabalhadores na base dos sindicatos a romper com os fóruns comandados pela Articulação / CUT / PT e a partir da base construir outros espaços de organização. É preciso denunciar as correntes governistas, não apenas a principal delas, a Articulação, mas todos os seus satélites: CTB/PCdoB, DS, CUTPodeMais, Trabalho, etc.

* ruptura e denúncia dos fóruns da CONTRAF / CUT. Os espaços de organização da campanha salarial, como Congressos de banco e a Conferência da CONTRAF não são espaços de organização dos trabalhadores em que uma determinada corrente, no caso a Articulação possui uma maioria circunstancial. São instrumentos burocráticos em que já se cristalizou uma política governista e oposta aos trabalhadores. Nos Congressos dos bancos existem várias maneiras de impedir que os bancários possam se expressar: não há proporcionalidade na tirada de delegados, há delegados biônicos indicados pela cúpula dirigente, as deliberações não são consideradas para definição da pauta da campanha, representantes do governo como ministros de Estado são convidados a falar, etc., entre outras questões.

Na Conferência da CONTRAF esses mesmos vícios se repetem, e ainda outros, o que torna impossível considerar esses fóruns como espaços úteis aos trabalhadores. Há muitos anos não passam de encontros de burocratas afastados dos locais de trabalho, que inventam pautas rebaixadas ao gosto do governo e dos banqueiros. As comissões de empresa e o Comando Nacional eleitos nesses fóruns conduzem burocraticamente as campanhas de uma maneira que a base “representada” não possa se manifestar e os interesses dos banqueiros e do governo prevaleçam.

* defesa de um processo de organização de base. Não podemos usar o espaço das campanhas eleitorais para dizer aos trabalhadores que a solução consiste simplesmente em votar em nós para dirigir as entidades. É preciso desfazer as décadas de deseducação em que a burocracia acostumou os trabalhadores com a ideia de que o instrumentos como o sindicato e a greve é algo que alguém faz em seu lugar. Precisamos aproveitar esses espaços para chamar os trabalhadores à participação, pelos exemplos das lutas passadas e recentes, mostrando que as vitórias somente são possíveis quando a maioria toma o destino nas próprias mãos.

Devemos nos colocar como aqueles que estão a serviço desse projeto de construir espaços de organização para as lutas cotidianas, para que os trabalhadores tenham ao mesmo tempo a confiança de que não estão sendo chamados a ser mera massa de manobras e o aprendizado de que devem tomar a história nas próprias mãos. Temos que nos colocar a todo momento como aqueles que defendem a mais ampla democracia e que querem criar os meios para que os trabalhadores se expressem e possam se colocar como sujeitos.

* denúncia do caráter antidemocrático dos processos eleitorais. Na maior parte das eleições específicas das entidades da categoria os processos não passam de uma farsa para dar um verniz democrático para a gestão da Articulação e do PT e seus aliados. Há uma série de obstáculos burocráticos para a constituição de chapas, não há condições equitativas de debate para que as posições opostas possam se expressar, as chapas da situação (governistas) possuem recursos financeiros infinitamente superiores para fazer campanha, não há fiscalização sobre o processo de votação e apuração (nos casos da PREVI e CASSI, por exemplo, a votação e apuração é feita no próprio sistema do BB, sendo o banco parte interessada na vitória de chapas governistas), não há proporcionalidade na composição das diretorias, nem revogabilidade dos mandatos, etc.

* resgate das reivindicações históricas. Temos que aproveitar as campanhas eleitorais para denunciar a mentira de que todos os anos temos “vitórias” e “aumento real” nas campanhas salariais. Temos que denunciar a real situação nos bancos e nos colocar como aqueles que defendem as soluções para esses problemas e as reivindicações históricas:

- Estabilidade no emprego para todos os trabalhadores, em especial nos bancos privados;

- Isonomia entre trabalhadores novos, antigos e incorporados, preservando-se o que for mais vantajoso para os trabalhadores;

- Plano de reposição das perdas acumuladas desde a implantação do real;

- Mais contratações nas agências, com cotas proporcionais para negros e minorias;

- Contra o sucateamento das nossas caixas de assistência;

- Contra o aparelhamento dos fundos de pensão;

- Efetivação dos terceirizados sem concurso, quem trabalha em banco bancário é!

- Outras reivindicações específicas de cada banco



4. FUNCIONAMENTO



4.1. Periodicidade



O Avante, Bancários! funcionará por meio de pelo menos uma reunião mensal ordinária, com caráter de plenária, ou seja, com a participação de todos os componentes. Em caráter extraordinário, pode ser feita mais de uma reunião no mesmo mês, preparatória ou organizativa, para tratar de encaminhamentos das reuniões ordinárias. As plenárias são soberanas e decidem todas as questões relativas às posições do Avante, Bancários!, suas publicações, etc., enquanto que as reuniões preparatórias ou organizativas tem alçada limitada pelas deliberações das plenárias (ou seja, não podem alterar o conteúdo das publicações, as posições que foram tiradas, etc.).



4.2. Publicações



O Avante, Bancários! publicará um jornal cuja periodicidade devemos trabalhar para que seja mensal, cujas edições deverão conter matérias de interesse geral da categoria e seções voltadas para os segmentos de bancos públicos, bancos privados e terceirizados.


4.3. Comunicação



O Avante, Bancários! mantém uma página no Facebook, sob responsabilidade de administradores designados por cada um dos coletivos, visando uma comunicação mais ágil com a categoria e a divulgação de notícias, eventos, etc.



4.4. Finanças



O Avante, Bancários! será mantido por contribuições voluntárias e regulares dos seus componentes. A independência financeira é um pré-requisito da independência política. Não será aceita qualquer tipo de contribuição de entidades patronais, governamentais, ligadas à burocracia sindical, governistas, ou estranhas às lutas da classe trabalhadora. Qualquer contribuição extraordinária de outras organizações, que só podem ser organizações de luta dos trabalhadores, classistas e antigovernistas, terá que ser mesmo assim discutida e aprovada em plenária.




terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Contribuição do coletivo Bancários de Base - SP para o VII Encontro da FNOB - Bauru 2013




CONJUNTURA



Em 2013 o Brasil finalmente "aterrissou" no planeta Terra. Desde 2011 vivemos uma nova situação mundial de aumento das lutas dos trabalhadores (com exemplos como a Primavera Árabe, Ocupar Wall Street, etc), em resposta ao problemas causados pela crise econômica iniciada em 2008. No Brasil a crise não se manifestou diretamente como nos demais países, mas de maneira indireta, através da intensificação do trabalho, a sobrecarga de serviço, o assédio moral, o adoecimento, o consumo movido a endividamento, o aumento da precarização do trabalho, o sucateamento dos serviços públicos. A insatisfação com os serviços públicos foi um dos principais motivadores das jornadas de junho, tendo como estopim o preço dos transportes.

Apesar do caráter massivo das manifestações em centenas de cidades, não se desenvolveu um movimento unitário que sintetizasse as reivindicações e apresentasse um programa de enfrentamento ao projeto do governo do PT e da burguesia. Com isso, o governo fez concessões mínimas e conseguiu recuperar boa parte da popularidade, ainda que os partidos de direita tenham se fortalecido e adiantado o debate eleitoral. O PT segue sendo a principal aposta da burguesia para administrar a chegada da crise no Brasil, em boa parte devido ao papel das burocracias sindicais. Tanto em junho como nas campanhas salariais do segundo semestre (correios, bancários, petroleiros, metalúrgicos), havia o potencial para uma greve geral que desafiasse o governo e fizesse avançar as reivindicações populares.

A burocracia sindical comandada pela CUT cumpriu o papel de impedir o desenvolvimento das lutas, através do controle dos espaços de organização dos trabalhadores, desde as assembleias de base até os comandos de negociação, evitando que as diversas campanhas se unificassem entre si e se somassem às reivindicações populares. Lamentavelmente, as principais referências de esquerda, Conlutas e Intersindical (comandadas por PSTU e PSOL respectivamente), que poderiam ter se colocado como alternativa, optaram por colar-se à burocracia sindical. Ao invés de assimilar a mensagem das ruas e sintonizar-se com a revolta antigovernista e antiburocrática, deram cobertura às burocracis sindicais, referendando a farsa burocrática dos "dias de luta" e das própiras campanhas salariais, sem iniciativas próprias e que apontem para a ruptura com as burocracias.

Em 2014, com a aproximação da Copa, a continuidade dos problemas, a falta de avanços reais nas reivindicações populares e a memória das lutas realizadas em 2013, devem surgir novos protestos e manifestações. É preciso que as representações das categorias organizadas trabalhem para unificar as diversas categorias e movimentos e unificar as reivindicações populares. A FNOB deve ser parte desse esforço. A classe é muito mais forte quando luta unida!



BALANÇO DA CAMPANHA



A campanha salarial de 2013 teve a maior duração e a maior adesão desde 2004. Para explicar isso, é preciso partir de elementos internos e externos à categoria. Internamente, os bancários vivem ano após ano uma deterioração das suas condições de trabalho, com aumento do volume de serviço, cobrança de metas, assédio moral, adoecimento físico e psicológico, perseguição aos ativistas, demissões, etc. Já há agências funcionando 8hs por dia, bancários trabalhando em fins de semana, gerentes disponíveis 24hs para clientes de alta renda. Não é à toa que os bancários vivem à base de remédios tarja preta. Por fora da categoria, evidentemente que as jornadas de junho e as lutas que se prolongaram, como a greve dos professores no RJ, também influenciaram na disposição de luta dos bancários.

A Fenaban tentou quebrar a greve endurecendo na negociação, afirmando publicamente na imprensa que não aumentaria sua proposta e permanecendo sem negociar por 15 dias. Entretanto, a firmeza dos bancários, que permaneceram em greve por 21 dias não só obrigou a Fenaban a negociar e melhorar a proposta (que ainda permaneceu longe das reais reivindicações) como também a mudar o formato da compensação, o que pode ser considerado uma pequena vitória.

De modo geral, porém, a campanha permaneceu sob controle da burocracia sindical, o que impediu que a insatisfação dos bancários se manifestasse numa greve com participação real da base e que se rompesse o padrão dos acordos rebaixados dos anos anteriores. Apesar da grande adesão e longa duração, a maior parte dos grevistas não esteve nas assembleias e piquetes, a não ser nas bases dirigidas pela oposição. Isso se deve a anos e anos seguidos de traições da burocracia sindical governista. As traições levam ao enfraquecimento das greves, que levam a mais ataques dos banqueiros, e assim sucessivamente, num círculo vicioso. No limite, os bancos querem nos tratar como comerciários, uma das categorias mais massacradas do país. Há muito trabalho pela frente para combater o ceticismo, o individualismo e o retrocesso ideológico geral da categoria, que não se enxerga como classe trabalhadora.

Em São Paulo a burocracia nem sequer realizou assembleia para referendar a pauta, que foi imposta pela Contraf sem que a base pudesse se manifestar. As assembleias foram controladas e burocratizadas como nos anos anteriores para impedir que a base assumisse o controle da luta. Ficamos ao longo de toda a greve sem informes do quadro nacional. A campanha foi encerrada como nos anos anteriores, em assembleias separadas, no horário da noite, com a presença massiva de fura greves, já que os grevistas não aceitariam a proposta rebaixada.

A grande novidade da greve em São Paulo foi a formação de uma frente entre diversos coletivos de oposição, com o nome de Avante, Bancários! Essa frente realizou ações radicalizadas de trancamento completo de importantes complexos, impondo prejuízos reais aos bancos. Em alguns casos a diretoria do sindicato e o MNOB foram obrigados a comparecer. Também trancamos a av. Paulista em ato conjunto com os petroleiros, estabelecemos contatos com os terceirizados e disputamos as assembleias, em especial na CEF (o Banco do Brasil vive um momento de retrocesso). A formação dessa frente deixa melhores perspectivas para a retomada do trabalho de organização da categoria na base mais importante do pais.



ATIVIDADES



O ano de 2014 será atípico em função não apenas das eleições, mas da realização de uma Copa do Mundo no país do futebol. A Copa é um elemento chave da estratégia do PT para se mostrar como um projeto viável de gestão do capitalismo no Brasil, inclusive do ponto de vista econômico, em função das obras, do boom da construção civil, que por sua vez alavancou a especulação imobiliária, etc. Para garantir esse projeto, o governo não pode permitir que aconteça em 2014 o que houve em 2013, por isso se antecipou às manifestações e aprovou uma legislação digna dos tempos de ditadura, que proíbe greves no período da Copa e enquadra como terrorismo as ações mais básicas de luta dos movimentos sociais, como um simples piquete! Estamos diante de um verdadeiro estado de exceção!

É dentro desse cenário que discutiremos a preparação da nossa campanha salarial. O projeto que está sendo aplicado nos bancos, responsável pelas péssimas condições de trabalho, é o mesmo que prejudica o restante da população (juros altos, tarifas abusivas, venda casada, etc.). Por isso, será importante desde o começo mantermos a sintonia com as demais categorias e movimentos sociais, politizar a discussão da campanha, denunciar os bancos exigindo a mudança do seu papel na sociedade e trazer a população e a juventude trabalhadora para o nosso lado. O ano de 2014 também terá eleições sindicais em bases importantes, como São Paulo e Porto Alegre, e as eleições da Apcef e Funcef. As eleições sindicais e associativas devem ser vistas como oportunidade para divulgar a FNOB e seu programa, organizar a base, prepara a categoria para as lutas. Em função dessas condições, a FNOB deve:

- antecipar a preparação da campanha salarial, realizando um Encontro Nacional para discutir uma pauta de reivindicações verdadeira e a organização de uma campanha alternativa;

- lutar para integrar a campanha salarial dos bancários às campanhas das demais categorias e aos demais movimentos sociais do país que entrarem em luta no ano da Copa;

- participar da eleição da FUNCEF por meio de uma chapa própria, conforme discutido no Encontro de Brasília 2013, construída em torno de um programa de denúncia, aberta a outros setores de oposição, mas sem a presença de setores governistas;

- posicionar-se na eleição do sindicato de Porto Alegre contra as duas chapas em formação, já que ambas incluem setores governistas (Articulação de um lado e CUT pode mais do outro);

- participar da eleição da APCEF SP através do coletivo Bancários de Base – SP, que deve trabalhar por uma chapa de oposição com o bloco Avante, Bancários! e demais setores, desde que sem a presença de correntes governistas;

- participar da eleição do Sindicato de São Paulo através do coletivo Bancários de Base – SP, que deve trabalhar por uma chapa de oposição com o bloco Avante, Bancários! e demais setores, desde que sem a presença de correntes governistas;

- participar da eleição da CIPA do complexo do Bradesco na Cidade de Deus em Osasco – SP, maior concentração da categoria bancária no país, através de candidatos ligados ao coletivo Bancários de Base – SP e ao bloco Avante, Bancários!;



ORGANIZAÇÃO INTERNA



No Encontro de Porto Alegre em 2012 a FNOB deliberou constituir uma pessoa jurídica, com CNPJ, para viabilizar uma contribuição financeira regular das entidades, o que requer a publicação de um estatuto, a ser aprovado neste encontro de Bauru. Consideramos o estatuto apenas o ponto final e a formalização da fase de construção e acúmulo dos últimos dois anos, ao longo dos quais consolidamos alguns pontos programáticos fundamentais, tais como:

- Ser um espaço de organização dos trabalhadores bancários para lutar por seus interesses imediatos (salário, condições de trabalho, etc.), e seus interesses históricos como parte da classe trabalhadora;

- Fazer oposição ao governo, que é patrão da metade da categoria bancária e ajuda a promover os ataques aos bancários do setor privado;

- Lutar contra o sindicalismo de conciliação e negociação, organizar a luta contra a exploração dos trabalhadores bancários, contra as demissões em massa, arrocho de salários, precarização das condições de trabalho, retirada de direitos, adoecimento físico e mental, etc.;

- Lutar contra as correntes governistas, que são instrumentos do governo e da patronal no interior do movimento para derrotar as greves e as lutas;

- Romper com a Contraf-CUT, denunciando e combatendo seus fóruns como ilegítimos, não representativos da base e incapazes de fazer a categoria avançar na luta. Os sindicatos da Frente precisam apresentar iniciativas paralelas e alternativas às dos governistas, boicotando os fóruns da Contraf, ao mesmo tempo que as oposições devem construir este mesmo caminho, podendo intervir em fóruns de base, como parte da mesma política de romper com a Contraf e seus fóruns;

- Participar apenas de atividades e assembleias que envolvam a base, para levá-la a refletir e romper com a direção governista;

- Lutar contra a estratégia da mesa única da FENABAN, defendendo a campanha unificada com mesas separadas de negociação;

- Funcionar com independência em relação aos governos, patrões e partidos. Tudo que diz respeito à Frente (linha política, conteúdo dos materiais, finanças, etc.) deve ser discutido e decidido nos fóruns da própria Frente, que são soberanos sobre suas questões internas.

- A sustentação da Frente deve ser produto da contribuição dos seus integrantes e por campanhas financeiras impulsionadas pela própria Frente junto aos trabalhadores, não aceitando qualquer tipo de contribuição do governo, da patronal, de ONGs, etc.;

- Praticar a transparência na prestação de contas e no balanço político das atividades realizadas, como forma de evitar a burocratização e de educar a base para exercer o controle sobre a Frente, que é um instrumento a seu serviço. Pelo menos em uma reunião do mês haverá o ponto de finanças. A prestação de contas estará disponibilizada, por escrito, para qualquer integrante que a solicitar em qualquer tempo;

- A Frente estará aberta a todos os agrupamentos e militantes que tiverem acordo com esses princípios gerais, preservando-se a autonomia dos grupos locais em relação às táticas específicas da sua realidade e da sua base de atuação, sua identidade, materiais próprios, funcionamento interno, etc.;

- Intervir nas eleições para os sindicatos, associações e entidades apoiando grupos que se dispuserem a lutar pelo programa da Frente aqui exposto. Essa disputa não deve ser feita com o objetivo de ganhar a qualquer custo, portanto não se pode aceitar alianças com setores da burocracia governista e seus satélites (Articulação, DS, CTB, etc.). O objetivo deve ser sempre o de avançar na organização dos trabalhadores, de modo que as campanhas eleitorais, independente do resultado, sirvam para construir núcleos de ativistas e militantes que se mantenham organizados regularmente para lutar cotidianamente pelo programa da Frente, não apenas em período de campanha salarial ou eleição;

- A Frente terá como máxima instância deliberativa os Encontros nacionais abertos, a serem realizados indicativamente no mínimo duas vezes por ano, um antes e um depois de cada campanha salarial;

- A Frente terá uma coordenação indicada pelos agrupamentos locais que a constituem, que será a responsável executiva pela aplicação das resoluções votadas nos seus Encontros nacionais, bem como pelas tarefas de cuidar da comunicação e finanças;

- A Frente apoiará indicativamente, no interior dos coletivos e entidades que a compõem, medidas que permitam o controle da base sobre os dirigentes, por meio da revogabilidade dos mandatos, rodízio na composição da sua Coordenação e proibição das reeleições indefinidas;

- Lutar por mudanças estatutárias nas entidades sindicais e associativas para criar mecanismos democráticos de funcionamento, como assembleias e plebiscitos frequentes para deliberar sobre as ações mais importantes, funcionamento democrático das assembleias e fóruns do movimento (eleição da mesa, garantia do direito a fala, etc.), proporcionalidade direta nas eleições, rodízio obrigatório de parte da diretoria a cada eleição, limitação do número de eleições, escolha dos liberados em assembleia, prestação de contas transparente e regular, etc.;

- Lutar pelo aprimoramento da OLT, por Conselhos de Delegados Sindicais de caráter deliberativo e com funcionamento regular, pela democracia no movimento, pelo fim dos comandos nacionais de tipo “biônico”;

- Desenvolver estudos sobre o sistema financeiro, estudando seus efeitos sobre a sociedade; subsidiar iniciativas de formação dos trabalhadores bancários, como cursos, seminários, cartilhas e outras publicações, e lançar o debate na sociedade em torno do papel dos bancos, a partir da iniciativa dos trabalhadores bancários, recolocando em pauta a perspectiva da estatização do sistema financeiro;

- Desenvolver atividades unificadas com outras categorias durante as campanhas salariais;

- Resgatar as reivindicações históricas da categoria no seu conjunto e também nos seus segmentos específicos (BB, CEF, bancos estaduais e regionais, bancos privados);



A consolidação desses pontos e a sua divulgação devem ser parte permanente da construção da FNOB. A partir desse momento, inaugura-se uma nova fase, em que estão dadas as condições para um funcionamento mais regular, uma presença mais constante e iniciativas de maior impacto junto à categoria em nível nacional.

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Breve histórico da Frente Nacional de Oposição Bancária


Para entender o surgimento da FNOB, é preciso partir de dois pontos: 1º) a distribuição nacional da categoria bancária e 2º) a história da oposição bancária nacional.



Em relação ao primeiro ponto, há uma diferença entre a distribuição da categoria bancária em São Paulo e no restante do país. Em São Paulo, principal centro financeiro do Brasil, está concentrado cerca 25% do total da categoria no país, com cerca de 120.000 trabalhadores (sem contar os terceirizados, correspondentes, etc.). Desse total, cerca de 80% trabalham em bancos privados e apenas 20% nos bancos públicos. O que vale para São Paulo vale também para o Rio de Janeiro e outras metrópoles principais, mesmo que em porcentagens menos discrepantes. No restante do país, por outro lado, e em especial no Norte e Nordeste, a distribuição está invertida, com maioria de trabalhadores nos bancos públicos e minoria em bancos privados, com porcentagens também variantes. Essa distribuição faz com que em vários estados do país haja uma maioria de grevistas em relação ao todo da categoria naquela base. Essa maioria de grevistas obriga os próprios setores da burocracia sindical governista a serem mais combativos do que são em São Paulo, e abre também espaço para que grupos de oposição ao governismo cheguem à direção dos sindicatos, como acontece no RN e MA, onde é possível desenvolver um trabalho de organização.



Entretanto, esse trabalho de organização desenvolvido em regiões periféricas tem pouco resultado pelo fato de que as traições às nossas campanhas salariais e às lutas em geral são realizadas por um Comando Nacional, que centraliza as burocracias governistas em nível nacional. Por isso, os sindicatos ligados à FNOB entendem que não basta desenvolver o trabalho de organização nas suas bases, mas é preciso construir alternativas de organização nacionais, que possam interferir no rumo das campanhas nos locais em que elas são decididas, no grandes centros como São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília.



Na tentativa de construir essa alternativa, chegamos ao segundo ponto, a oposição bancária nacional. O movimento da categoria bancária foi retomado na greve de 30 dias de 2004, em que a base realizou a greve contra a orientação da maioria do movimento sindical (CUT). Da greve de 2004 resultou o Movimento Nacional de Oposição Bancária – MNOB, cuja orientação política majoritária era do PSTU. Num primeiro momento, ainda que com muitos problemas, o MNOB cumpriu o papel de oposição à CUT, defendendo uma campanha e uma pauta alternativa. Entretanto, a pressa do PSTU em captar os ativistas para o partido e vincular o MNOB ao seu projeto de Central Sindical (Conlutas) acabou afastando gradualmente os ativistas e demais coletivos, esvaziando e inviabilizando o MNOB como alternativa de organização nacional. A afobação do PSTU para construir o seu partido como prioridade absoluta em relação à construção do movimento do conjunto da categoria fez com que não se construisse nem o partido nem o movimento! A partir de 2009 consolidou-se a opção do PSTU de voltar aos fóruns de organização controlados pela CUT, abandonando a proposta de uma campanha alternativa, ainda que nominalmente defenda a pauta alternativa, o que gerou crise no MNOB.



A crise se completou quando veio à tona o aparelhamento do MNOB pelo PSTU, também em 2009. Um militante do PSTU em São Paulo recebia salário do MNOB, sem que isso tivesse sido discutido com a base do movimento, nem com os sindicatos, que faziam contribuições regulares, nem com nós que militávamos na base de São Paulo e arrecadávamos cotizações inclusive nos nossos locais de trabalho. É até aceitável que o movimento tenha um aparato ou mesmo sustente um funcionário para tarefas organizativas, mas no caso em questão, há dois problemas gravíssimos: 1º) a existência desse funcionário não tinha sido discutida nem muito menos aprovada pelo restante do movimento; e 2º) esse funcionário desenvolvia tarefas do partido e não do movimento! Trata-se de fatos públicos, do conhecimento de todos os que militavam nos espaços nacionais da oposição bancária na época e que quebraram definitivamente a confiança no setor majoritário do MNOB. A partir de 2010, os setores descontentes com os rumos políticos (volta para a CUT) e o aparelhamento do MNOB deram início às discussões que levaram à realização do Encontro de Natal, em 2011, que viria a ser o I Encontro da FNOB.



A partir dos Encontros seguintes consolidou-se o acúmulo dentro da FNOB de rejeitar os fóruns viciados da CUT. Não se trata apenas de espaços de organização em que uma determinada corrente, no caso os governistas, possuem uma maioria circunstancial, mas de referências políticas que consagram um formato de campanha salarial em que a base da categoria não tem condições de se expressar, nem muito menos determinar os rumos da campanha. Da mesma forma, a FNOB rejeita os métodos aparelhistas empregados pela burocracia governista e também pelo PSTU, defendendo a democracia nos debates, a transparência nos espaços de organização dos trabalhadores, a prestação de contas regular.



Participam hoje da FNOB os seguintes coletivos:

- Maioria da diretoria do Sindicato dos Bancários do Rio Grande do Norte (o sindicato é filiado à Conlutas, mas o setor que defende a FNOB alinha-se com o Bloco Classista, Anticapitalista e de Base, como oposição à maioria da Central-PSTU);

- Diretores do Sindicato dos Bancários do Maranhão (a diretoria conta também com militantes do PSTU e do PSOL);

- Associação Nacional dos Beneficiários do RegReplan – ANBERR;

- Coletivo Bancários de Base – SP;

- Coletivo Bancários de Base – RS;

- Oposição de Brasília – DF;

- Oposição do Pará;



O sindicato dos Bancários de Bauru é filiado à Conlutas e a maior parte dos seus dirigentes esteve ligada ao MNOB, mas este ano uma parte da diretoria fez o convite aos coletivos acima para sediar o Encontro em Bauru, como uma forma de conhecer a FNOB.



Além desses diversos coletivos, repetimos, os Encontros da FNOB são abertos a qualquer trabalhador da categoria.


Convocatória do Encontro da Frente Nacional de Oposição Bancária - FNOB, 7 e 8 de dezembro, Bauru, SP




 

VII Encontro da FNOB - Frente Nacional de Oposição Bancária - 7 e 8 de dezembro, Bauru, SP

A Frente Nacional de Oposição Bancária – FNOB é formada por sindicatos e oposições sindicais de várias partes do país que não concordam com o formato das campanhas salariais. Defendemos uma campanha em que os trabalhadores decidam tudo, desde a pauta de reivindicações até a escolha de quem nos representa na mesa de negociações. Por isso, somos oposição ao Comando Nacional formado pelos burocratas da Contraf-CUT, que é comandada pelo Sindicato de São Paulo. Lutamos para organizar os bancários desde a base e de maneira democrática. O Encontro de Bauru é mais uma etapa dessa caminhada.

Assim como acontece em São Paulo, no restante do país os sindicatos controlados pela Contraf-CUT (e parceiros como CTB, DS, CUTpode mais, etc.) não estão presentes no dia a dia dos trabalhadores. Não organizam nenhum tipo de resistência contra os abusos dos bancos, não fortalecem a organização nos locais de trabalho, não reúnem delegados sindicais e representantes de base, não abrem espaço para que a base se manifeste sobre a pauta (em São Paulo fazem uma pesquisa via internet para definir a pauta e maquiam os resultados), etc. Realizam Congressos e Conferências sem trabalhadores de carne e osso, apenas burocratas sindicais que estão há anos ou décadas afastados dos locais de trabalho. Inventam uma pauta que não contém as verdadeiras reivindicações, que já começa rebaixada, fazem uma greve de fachada, aceitam um acordo ainda mais rebaixado, que contém a compensação das horas, e ainda têm o cinismo de dizer que houve “vitória” por conta do “aumento real”.

Somos contra tudo isso! Defendemos uma pauta alternativa, com reposição de perdas, isonomia, PCS, fim das metas e do assédio moral, mais contratações, estabilidade no emprego, etc. Os sindicatos da FNOB apresentam essa pauta todos os anos na FENABAN. Defendemos que sejam eleitos representantes da base para a mesa de negociação. Defendemos democracia nas assembleias para que os bancários possam colocar suas posições. Por isso, SOMOS CONTRA OS CONGRESSOS E CONFERÊNCIAS DA CONTRAF CUT! Para termos uma campanha vitoriosa no ano que vem, temos que começar desde já a preparação. O Encontro de Bauru está a serviço dessa luta!



Participantes de outros Estados irão em transporte fretado saindo de São Paulo, retornando no sábado dia 7. Para participar, entre em contato com: (bancariosdebase@yahoo.com.br) ou (https://www.facebook.com/bancariosdebasesp?ref=hl )

UMA NOVA SITUAÇÃO NO PAÍS! PRECISAMOS MUDAR AS DIREÇÕES SINDICAIS!



O Brasil mudou neste ano de 2013! Depois das manifestações de junho, a juventude trabalhadora e o conjunto da população passaram a manifestar sua insatisfação quase diariamente. Além dos problemas no transporte público, os manifestantes protestam por melhorias na saúde, na educação, moradia, etc., e contra os gastos com a Copa e a corrupção.

Não há outro meio de mudar a realidade a não ser pela luta. Mas para lutar é preciso organização! E as principais organizações dos trabalhadores, os sindicatos e centrais sindicais, brilharam por sua ausência durante as manifestações. E isso acontece porque, apesar dos trabalhadores estarem insatisfeitos, os dirigentes dos sindicatos e centrais sindicais não querem desenvolver a luta. Os dirigentes da CUT, CTB, Força Sindical, UGT, etc., não querem que haja lutas porque não querem que os trabalhadores enfrentem os governos do PT ou da oposição.

Foi por isso que, no auge das manifestações, em junho, quando tínhamos milhões de pessoas nas ruas, não tivemos uma greve geral no Brasil! As manifestações são importantes, e foram capazes de impedir o aumento das passagens e alguas pequenas conquistas. Mas a única maneira de impor as reivindicações dos trabalhadores é por meio das greves, paralisando a produção e circulação de mercadorias e a prestação de serviços. Foi assim que conseguimos todas as conquistas históricas, como a jornada de 8 horas, férias, 13º salário, etc. É assim que conseguiremos também saúde, educação, transporte, moradia, etc. no “padrão FIFA”, como foi reivindicado nas manifestações.

Mas para isso, precisamos de outra direção nos sindicatos e centrais sindicais! Os dirigentes dos principais sindicatos e centrais do Brasil não representam os interesses dos trabalhadores, mas do governo ao qual apoiam. E independentemente de quem esteja no governo, os dirigentes dos sindicatos e centrais estão acostumados a vender os interesses dos trabalhadores em negociações com os patrões, em troca de benefícios pessoais. Foi por isso que as centrais sindicais foram rejeitadas nas manifestações: o povo percebeu que fazem parte do sistema, ao invés de se opor a ele!

Precisamos de um novo movimento sindical! Se no momento das manifestações os sindicatos e centrais sindicais se destacaram por sua ausência, nas campanhas salariais do 2º semestre fizeram questão de impedir que o novo momento do país “contaminasse” as greves de importantes categorias como Correios, bancários, petroleiros, metalúrgicos, que têm data base entre setembro e outubro. Ao invés de uma campanha unificada, com as mesas datas de greve, assembleias unificadas, passeatas e manifestações unificadas, piquetes unitários, uma mesa unificada para as categorias que têm o governo federal como patrão (funcionários do BB, CEF, Correios, Petrobrás), etc.; ao invés disso, tivemos campanhas fragmentadas, em que cada categoria se chocou separadamente com os patrões e o governo. Se não é para unificar as diversas categorias enquanto uma só classe na luta contra os patrões, para que servem as centrais sindicais?

E tão importante quanto isso, a burocracia sindical impediu que as reivindicações das diversas categorias ganhassem apoio da população em geral! Na greve dos professores do Rio de Janeiro, a população esteve a favor dos grevistas. Por que isso não aconteceu na nossa greve? Por que não denunciamos os lucros abusivos dos bancos, as tarifas extorsivas, a venda casada, os juros escorchantes, a superexploração dos bancários, a falta de funcionários, o excesso de serviço, o assédio moral, o adoecimento, as perseguições aos que buscam se organizar, etc.? Por que não defender a estatização do sistema financeiro, sob controle dos trabalhadores, durante a greve?

A resposta, já dissemos, é porque as atuais direções sindicais estão completamente afastadas do dia a dia, dos interesses, das condições de vida dos trabalhadores. Defendem interesses próprios e opostos aos nossos. Por isso, precisamos construir um novo movimento sindical! Em bancários, isso começa com a ruptura e a denúncia da Contraf-CUT e seus satélites! A FNOB busca ser um instrumento para a construção dessa alternativa, classista, antigovernista, independente, democrática e de base! Venha nos ajudar a construir esse projeto!



domingo, 24 de novembro de 2013

Sobre a constituição do Avante, Bancários!




Em junho deste ano o coletivo Bancários de Base – SP lançou um chamado a uma plenária de base (o texto do panfleto de convocatória foi publicado aqui neste blog: http://bancariosdebasesp.blogspot.com.br/2013/06/plenaria-dia-29-de-junho-de-2013.html) para começar a discutir a organização da campanha salarial de 2013. A essa plenária compareceram trabalhadores bancários independentes e também ativistas organizados em coletivos de oposição à direção do sindicato.



A partir dessa primeira atividade (na verdade as relações/atuação com os companheiros desses coletivos de oposição já se desenvolviam desde o fim de 2012 na campanha contra a demissão do companheiro Messias e também no próprio CONECEF – 2013) realizaram-se novas plenárias e novos panfletos foram editados (“É hora de sermos protagonistas” - http://bancariosdebasesp.blogspot.com.br/2013/08/e-hora-de-sermos-protagonistas.html ; “Por uma campanha salarial de verdade!” - http://bancariosdebasesp.blogspot.com.br/2013/08/por-uma-campanha-salarial-de-verdade.html ; e “Avante, Bancários!” - http://bancariosdebasesp.blogspot.com.br/2013/08/avante-bancarios.html) por esses coletivos atuando em unidade. Nesses panfletos buscamos relacionar o novo clima político do país aberto com as manifestações de junho à campanha salarial da categoria, tentando estimular os bancários a participar da campanha com mais intensidade do que em anos anteriores. Essa era uma aposta comum a todos os coletivos.



Esta frente entre diversos coletivos da base de São Paulo recebeu o nome de “Avante, Bancários!” e desenvolveu uma atuação importante ao longo da campanha salarial. Procuramos organizar os trabalhadores para participar da greve, disputamos as assembleias apresentando propostas de como melhor organizar a luta, realizamos diversos piquetes, paralisando concentrações importantes e impondo prejuízos reais aos bancos, apresentando uma alternativa de organização aos trabalhadores.



O balanço da greve discutido no interior do Avante, Bancários! está publicado numa página do facebook (https://www.facebook.com/avntbancarios), que contém também as imagens das atividades realizadas durante a greve, e está sendo panfletado nas principais concentrações da categoria em São Paulo, neste mês de novembro.



A experiência do Avante, Bancários! ainda está em aberto, ou seja, não sabemos se terá ou não continuidade e de que forma vai continuar, pois isso não depende apenas da nossa vontade. A consolidação dessa alternativa de organização da categoria e o formato que terá ainda depende do resultado dos debates a serem realizados com os demais coletivos e ativistas que participaram dessa experiência.




quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Avante, Bancários!


Texto do boletim unificado construído com "Uma Classe", "Avesso" e "Alternativa Sindical Socialista", tratando do dia nacional de lutas em 30/08, da plenária do dia 24/08 e da manifestação de 14/08.
 
 
 

AVANTE, BANCÁRIOS!

Construindo uma alternativa de oposição



Vivemos um novo momento no país. Desde as grandes mobilizações que começaram no mês de junho, contra o aumento das passagens, e que acabaram levando às ruas milhões de pessoas, protestando contra a precariedade do transporte, da saúde e da educação, contra os gastos com a Copa, a corrupção etc, nosso país vive uma nova etapa.

O dia 11 de julho representou uma importante entrada em cena da classe trabalhadora. Essa entrada só não foi maior por culpa das amarras que nos impõem as direções burocráticas das principais centrais sindicais. Para que a classe trabalhadora assuma seu verdadeiro posto nessa luta, precisamos de algo muito diferente do que foi o dia 11 de julho.

Naquele dia os dirigentes do nosso sindicato encenaram um ato na avenida paulista, juntamente com a cúpula das centrais sindicais, enquanto a orientação nos bastidores era pra que os bancários continuassem trabalhando normalmente nas agências e departamentos. Isso é o oposto do que defendemos! Um verdadeiro dia de luta deve ser uma greve geral em que os trabalhadores de todas as categorias, unificados como classe, enfrentem o empresariado e o governo, paralisando totalmente a produção e a circulação de mercadorias e serviços. É essa a arma decisiva que possuímos e que devemos usar para conseguir nossas reivindicações.

No dia 14 de agosto, o ato contra a corrupção no metrô de São Paulo, convocado pelo MPL, pode ser o recomeço do processo de mobilização. Não podemos ver nossa campanha salarial como algo descolado desse processo. Devemos nos inspirar na luta protagonizada pela juventude, nos colocando ao seu lado, levando também nossas demandas, pois com os trabalhadores mobilizados nas ruas temos muito mais força.



CONSTRUIR O DIA NACIONAL DE LUTA EM 30 DE AGOSTO!

No dia 30 de agosto (sexta-feira), as centrais sindicais estão chamando um novo “Dia Nacional de Luta”, chegando, inclusive, a indicar greve de 24 horas. Não podemos deixar que esse dia se torne mais um na rotina da burocracia sindical e, para isso, é essencial construirmos esse dia de luta somando forças com as demais categorias de trabalhadores e com os movimentos sociais.

Este dia de luta pode ser fundamental também para determinar o rumo da nossa campanha salarial. Trata-se de uma abertura importante que pode fazer avançar muito a organização e mobilização dos trabalhadores no sentido de retomarmos a luta em nossas mãos e também fazer uma campanha salarial que esteja efetivamente sob controle dos trabalhadores.

Assembleia para organizar o 30/ago e a campanha salarial. Para construirmos o Dia Nacional de Luta, precisamos de uma assembleia para deliberar sobre a greve de 24 horas no dia 30. Ao mesmo tempo, isso precisa estar articulado com as questões da nossa categoria, com a definição de um calendário de luta da campanha salarial, onde possamos discutir e decidir a deflagração da greve por tempo indeterminado, onde possamos responder ao ataque já naturalizado ao nosso direito de greve que é a compensação das horas paradas e questões organizativas da greve (como periodicidade e horário das assembleias, composição das mesas de negociação, etc).

Até o momento, a diretoria, que há tempos está descolada da realidade da categoria, tem agido como se pudesse decidir tudo em nome dos bancários. Por exemplo, tivemos uma assembleia que tirou delegados para a Conferência da Contraf-CUT, que saiu com o índice de 12%, que não representa nem de longe o que precisamos. Ora, não é porque os dirigentes da CUT inventaram essa pauta de reivindicações que nós automaticamente devemos aceitá-la. O mínimo seria fazer uma assembleia para que os bancários decidam sobre a pauta, como era feito até alguns anos atrás e como tem sido feito em outras regiões.



SOMOS PELA UNIDADE DA CLASSE TRABALHADORA!

Se somarmos a força dos trabalhadores organizados com os levantes e as mobilizações nas ruas como as que tivemos em junho, teremos muito mais condições de enfrentar o governos e os patrões. E esse chamado deve ser feito às categorias em luta no próximo período, principalmente àquelas que também entram em campanha salarial no segundo semestre, como os trabalhadores dos Correios, petroleiros e metalúrgicos. As manifestações de junho só reforçaram o que há de comum nas questões que nos unem, e que as diferenças e divisões impostas pelo governo e pelos patrões em diversas categorias só está a serviço de nos dividir, nos controlar e nos enfraquecer.



CONTRA A TERCEIRIZAÇÃO E A DIVISÃO DOS TRABALHADORES!

Uma das formas mais perversas de divisão da nossa classe é a que separa os trabalhadores terceirizados como uma casta de párias. Nos bancos, por exemplo, uma enorme quantidade de trabalhadores (vigilantes, copeiras, faxineiras, telefonistas, recepcionistas, trabalhadores dos correspondentes e lotéricos), que são parte essencial ao funcionamento da empresa, são atacados diariamente em seus direitos trabalhistas mais elementares, são tratados como inferiores e recebem os piores salários. E, como se não bastasse, ao mínimo sinal de insatisfação desses trabalhadores, as ameaças de punição e demissão estão sempre a espreita para tentar barrar qualquer tentativa desses trabalhadores se organizarem.

O Projeto de Lei (PL 4330) que está sendo discutido no Congresso, pode aprofundar ainda mais a precarização, expandindo-a para todas as áreas das empresas, o que teria consequências ainda mais nefastas para o conjunto dos trabalhadores. Esse projeto está sendo negociado “por cima” pelos dirigentes sindicais, que supostamente falam em nosso nome, mas sem a participação efetiva dos trabalhadores, sem qualquer movimento no sentido de organizar a luta pela base. Os dirigentes querem aceitar o PL 4330, desde que eles tenham o poder de representar os terceirizados sindicalmente. Defendemos sim que os terceirizados tenham direito de sindicalização de acordo com os lugares onde efetivamente trabalham, mas como parte de uma luta em que se combata efetivamente as barreiras e divisões impostas pela terceirização. Somos contra qualquer forma de divisão e de separação entre os trabalhadores! A luta contra a terceirização é parte fundamental da luta da classe trabalhadora!



PLENÁRIA NO DIA 24 DE AGOSTO

Buscamos, através dessa iniciativa, somar forças para que nossas ideias e propostas cheguem a um setor mais amplo da categoria, para que possamos fazer frente às manobras que a direção do nosso sindicato faz para impedir que os trabalhadores sejam sujeitos de sua própria luta. Convidamos a todos que queiram se somar a nossa iniciativa ou conhecer melhor nossas ideias para uma plenária aberta a ser realizada no próximo dia 24 de agosto no ECLA (Espaço Cultural Latino Americano – R. da Abolição, 244).



Assinam esse panfleto, bancários independentes e os coletivos de oposição Bancários de Base, Uma Classe, Avesso e ASS. Contato: campanhabancarios2013@gmail.com


quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Por uma campanha salarial de verdade!


Texto do panfleto de convocatória da plenária de 3 de agosto




 
POR UMA CAMPANHA SALARIAL DE VERDADE!

Nossa campanha salarial já está próxima, e este ano não podemos mais aceitar o roteiro encenado pela diretoria do sindicato, que começa reivindicando pouco, para aceitar menos ainda, fazendo conchavos com a patronal para entregar por migalhas a nossa luta, enterrando a nossa greve em assembleias cheias de gerentes nos fazendo engolir goela abaixo ataques como a compensação das horas de greve. A campanha salarial pertence aos bancários, não à diretoria!

Ao invés de uma pesquisa virtual para definir a pauta, precisamos de reuniões, plenárias, assembleias, em que os bancários de carne e osso possam comparecer, discutir o que estão vivendo em seus locais de trabalho e apresentar suas ideias sobre o que precisa mudar. A diretoria não cumpre seu papel de organização dos bancários desde a base, impossibilitando que esses possam ser sujeitos de sua própria luta. Chamamos os bancários a se reunir e debater propostas para nossa luta e organização!

Para mudar tudo o que está errado nas campanhas salariais, somente com muita participação dos bancários. Assim como as ruas foram ocupadas pelos manifestantes, precisamos sim ocupar a quadra nas assembleias e romper as barreiras impostas pela patronal e a burocracia sindical, nos aliarmos às demais categorias em luta e aos interesses da maioria da população.

O EXEMPLO DAS RUAS

Tudo começou com o movimento contra o aumento das passagens, que parecia não ter tanta importância, e foi tratado com uma brutal repressão policial. Em resposta à violência, a juventude, os trabalhadores e a população desencadearam uma imensa onda de protestos. Milhões de pessoas saíram às ruas de centenas de cidades do país,

demonstrando uma grande insatisfação que estava represada, protestando não só contra o aumento das passagens, mas por várias outras causas, como as graves deficiências da educação e da saúde pública, o absurdo dos gastos com a Copa, a corrupção, etc.

Os governos foram encostados contra a parede e o aumento foi revogado, assim como a PEC 37 e a “cura gay”. Foram vitórias importantes, mas está longe de ser suficiente. De qualquer forma, a lição que ficou no ar é de que, quando nos mobilizamos, quando protestamos, quando agimos coletivamente, conseguimos vencer.

A mudança no clima político após as grandes manifestações de junho foi tão grande, que até as direções sindicais mais pelegas tiveram que se mexer. No dia 11/7, CUT, Força Sindical e demais centrais convocaram um dia nacional de mobilizações, que ainda ficou muito aquém do que seria uma verdadeira demonstração de força da classe trabalhadora. Nosso Sindicato, em particular, sequer chamou a paralisação, limitando-se a fazer um ato na Av. Paulista enquanto os bancários seguiam num dia de trabalho comum. Para o dia 30/8 está chamada uma nova jornada de paralisações, e dessa vez temos que pressionar para que os sindicatos e centrais mobilizem realmente suas bases. Transformar esse dia 30/8 numa demonstração contundente de que os trabalhadores querem mudanças, é também a melhor forma de criar um clima o mais favorável possível para a nossa campanha salarial!

O QUE NÃO

ACEITAMOS MAIS

* Não aceitamos que se encerre a campanha salarial sem discutir as questões que realmente importam, como o fim das metas e do assédio moral, a reposição das perdas, a isonomia entre funcionários novos e antigos, etc.

* Não aceitamos os Congressos da Contraf-CUT, em que um grupo de dirigentes que deixaram de ser bancários, estão há vários anos, ou décadas, afastados dos locais de trabalho, do dia a dia das agências e departamentos, inventam uma pauta de reivindicações que não tem nada a ver com as nossas necessidades.

* Não aceitamos assembleias em que a diretoria do sindicato fala durante horas e os bancários só escutam, como se fossem apenas uma plateia. Temos o direito de falar, de fazer propostas, de debater os rumos da campanha!

* Não aceitamos mais a cumplicidade do nosso sindicato com a patronal que manda gerentes e demais fura greves para as assembleias com o objetivo de encerrar nossa luta!

* Não aceitamos acordo coletivo que venha com a compensação das horas. Não aceitamos nenhum tipo de ataque e punição para os grevistas!

Assinam: bancários independentes e os coletivos de oposição

“Bancários de Base”, “Uma Classe”, “Avesso” e “ASS”